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Capítulo 6 — Eliza Vasconcelos

Eu não vi quando aconteceu.

Não deu tempo.

Foi rápido demais.

Em um segundo, eu estava andando…

no outro…

O impacto.

Seco.

Forte.

Meu corpo sendo lançado para trás, o ar sumindo dos meus pulmões como se alguém tivesse arrancado tudo de uma vez.

E então…

Silêncio.

Não um silêncio real.

Mas aquele tipo estranho, abafado… como se o mundo tivesse se afastado de mim por alguns instantes.

Eu não sei quanto tempo fiquei assim.

Segundos.

Talvez mais.

Mas, quando abro os olhos…

A primeira coisa que vejo é um carro.

Parado.

Muito perto.

Perto demais.

Minha respiração falha por um instante, e eu demoro alguns segundos para entender onde estou.

No chão.

Estou no chão.

O frio do asfalto contra o meu corpo me faz despertar aos poucos, trazendo de volta a realidade de uma forma lenta… e confusa.

As pessoas ao redor começam a ganhar forma.

Rostos.

Sombras.

Movimento.

Elas estão me olhando.

Algumas com a mão na boca.

Outras sussurrando.

Mas ninguém se aproxima de imediato.

Ninguém faz nada.

Só… observam.

Meu coração acelera.

Meu corpo demora a responder, mas, com esforço, apoio as mãos no chão e me levanto.

Devagar.

Sentindo um incômodo imediato no braço.

Uma dor aguda, localizada, que me faz fechar os olhos por um segundo.

— Está tudo bem? — alguém pergunta ao longe.

Eu não respondo.

Ainda não consigo.

Minha cabeça ainda está tentando entender o que aconteceu.

Respiro fundo.

Uma vez.

Depois outra.

Até o ar voltar completamente.

Estou bem.

Eu estou bem.

Ou pelo menos…

É o que parece.

Olho rapidamente para mim mesma.

Minhas roupas estão intactas.

Sem rasgos.

Sem sangue.

Só um pouco desalinhadas.

Como se nada tivesse acontecido.

Mas aconteceu.

E então…

Eu vejo.

O copo de café.

Virado no chão.

O líquido escuro espalhado… invadindo tudo.

Minha bolsa.

Minha pasta.

Os documentos.

Meu estômago se aperta na hora.

— Não… — murmuro baixo.

Dou um passo à frente, ignorando completamente o carro parado, ignorando as pessoas, ignorando tudo.

Me abaixo rapidamente, pegando a pasta.

Está molhada.

Encharcada.

Abro com pressa.

Papéis.

Todos manchados.

Tinta borrada.

Informações ilegíveis.

Respiro fundo, tentando não entrar em desespero.

— Não, não, não…

Passo a mão pelos documentos, como se isso fosse resolver alguma coisa.

Mas não resolve.

Nada resolve.

Fecho os olhos por um segundo, tentando me controlar.

Calma.

Respira.

Não é o fim do mundo.

Mas é importante.

Muito importante.

Levanto devagar, segurando tudo junto ao corpo.

Minha bolsa.

A pasta.

Os papéis.

Mesmo inutilizados.

Mesmo arruinados.

Levo a mão até o pescoço, ajeitando o cachecol com cuidado.

Depois, passo os dedos pelos cabelos, colocando cada fio no lugar, como se aquilo pudesse me devolver o controle da situação.

Minha respiração ainda está um pouco irregular.

Mas eu me recomponho.

Sempre me recomponho.

Dou um passo para trás.

Depois outro.

E então paro.

Por um instante.

Sentindo.

A dor no braço ainda está ali.

Latejando.

Mas suportável.

Nada que eu não consiga ignorar.

Olho ao redor mais uma vez.

As pessoas ainda estão ali.

Observando.

Esperando.

Mas eu não olho para o motorista.

Não ainda.

Não quero.

Não preciso.

Porque, naquele momento…

O que mais me incomoda…

Não é o acidente.

É a sensação de que, mais uma vez…

Algo saiu completamente do meu controle.

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