(POV: Rayana)A pasta preta dizia muito.Mas dizia menos do que o silêncio.Foi isso que percebi no terceiro dia.A casa funcionava como um organismo vivo. Cada detalhe respirava em horários específicos, reagia a estímulos, se retraía e se expandia sem que eu precisasse tocar em nada. Nada era improvisado: nem o café, nem a luz entrando pelas janelas, nem o volume da televisão — sempre baixo demais para ser acidental. Eu tinha estudado casas de luxo antes, mas nunca nada assim. Era quase militar. E, ainda assim, nenhuma dessas regras invisíveis estava escrita.A pasta falava de segurança, alimentação da Bárbara, rotinas básicas, telefones de emergência. Objetiva. Técnica. Um documento feito para proteger uma criança. O resto… o resto era um manual não escrito, feito de silêncio, tempo e observação.Descobri isso quando abri a janela errada.Não era errada de verdade. Era a mesma janela que eu abria todos os dias no apartamento minúsculo onde vivi por anos. Ar fresco, manhã clara, nada
Ler mais