CAMILA NOGUEIRA
— Senti sua falta, amor.
Aquelas três palavras. Apenas três. Mas ditas com aquela voz... aquela voz grave, rouca, cheia de uma intimidade que eu pensei ter arrancado da minha pele, tiveram um abrupto impacto.
O mundo girou em um eixo errado. O oxigênio fugiu do corredor, sugado pela presença imponente do homem à minha frente.
O choque inicial durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade. Então, o instinto de sobrevivência, o mesmo que me fez pegar um avião grávida e fugir para o outro lado do oceano, chutou meu estômago.
Eu não pensei. Apenas reagi.
Lancei meu peso contra a porta, empurrando a madeira com toda a força desesperada que meu corpo conseguia reunir.
A porta avançou, prestes a bater na cara dele, prestes a trancar o monstro do lado de fora. Mas então parou.
Olhei para baixo. O sapato estava firme na fresta.
Arthur nem sequer vacilou. Ele não fez esforço visível. Com um movimento rápido, quase preguiçoso, ele empurrou a porta de volta. Eu fu