ARTHUR VASCONCELOS
Finalmente.
Soltei o ar dos pulmões enquanto observava o táxi se afastar, levando embora as duas últimas barreiras entre mim e minha família.
Zoe e Emma. Eu as odiava quase tanto quanto odiava a distância física que me separava de Camila, mas tive que exercer uma paciência que eu desconhecia possuir.
Durante trinta dias, eu apenas a observei de longe.
Agora conhecia a rotina delas melhor do que conhecia a pauta das minhas empresas. Sabia que as luzes do apartamento 3B se acendiam às seis da manhã. Sabia que Camila gostava de ficar sentada na poltrona perto da janela por volta das dez, com o bebê nos braços, olhando para o nada com uma expressão de melancolia que me dava vontade de derrubar a porta e exigir saber quem a tinha feito triste.
Fui eu, a voz na minha cabeça sussurrava. Você a fez triste.
Nesse mês, aprendi coisas que nenhum relatório de detetive poderia me dizer.
Descobri que é uma menina.
Vi as roupinhas cor-de-rosa secando num pequeno varal impr