O silêncio na sala de reuniões parecia pesado de uma forma que as planilhas não capturavam. O vidro do prédio refletia a fina chuva de Amsterdã, como se toda a cidade estivesse sendo lavada — mas algo não estava limpo por dentro, aninhado bem ao lado, na Van der Velde Construct. Apenas o cheiro de metal, café caro e decisões irreversíveis. Daan van der Velde fechou a caneta suavemente e devolveu o contrato ao advogado, e nem uma vez um músculo se contraiu em seu rosto. — Assinado — disse ele , como se marcasse um fim formal. O CEO da empresa parceira sorriu do outro lado da mesa, satisfeito. Um diretor aplaudiu discretamente. Seu CFO, Pieter Kruger, acenou levemente em aprovação, o equivalente a dizer bom garoto. A tela na parede mostrava um resumo do acordo, com os números subindo em verde. Crescimento, expansão, lucro. E, no canto inferior esquerdo, uma pequena nota que ninguém leu em voz alta: Reestruturação operacional: cortes de unidades, fechamento de filiais, redução de p
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