Henrique não disse nada. Apenas fechou a porta e se aproximou, respeitando o silêncio que tomava conta da sala. Elize se aproximou da janela, olhando a rua lá embaixo como se procurasse, lá longe, as palavras que precisava dizer.
— Eu tinha catorze anos, Henrique, — começou ela, sem tirar os olhos do vidro. — quando perdi meus pais num acidente de carro. Minha irmã, Camila, tinha só dezoito na época. Precisou largar tudo pra me criar. Trabalhou em dois empregos. Dormia pouco. Comia menos ainda.