Capítulo 49 - Sardenha

Eu nunca tinha andado de avião.

Isso surpreendia as pessoas quando eu dizia. Elas sempre presumiam coisas. Viagens. Movimento. Fuga. Mas a minha vida sempre foi construída no plano horizontal. Ônibus. Trens. Estradas que acabavam voltando para os mesmos lugares. Daniel não se abalou com a ideia. Ele tinha um senso real das coisas. De mim.

O céu sempre foi para outras pessoas. Para quem tinha dinheiro.

George dirigia.

A mesma postura. O mesmo silêncio. Ele não comentou quando observei a paisagem rarear em cercas e vegetação baixa. Não comentou quando a pista de pouso surgiu do nada, plana, privada e irreal. Uma pista para mim e Daniel. Um piloto e um copiloto para nós dois. Uma comissária para nos servir.

O jato nos aguardava. Branco. Limpo. Sem logotipos. Sem multidões. Sem anúncios.

Daniel percebeu minha pausa.

— Tudo bem? — perguntou.

— Estou me recalibrando — respondi.

Ele sorriu e estendeu a mão. Eu a aceitei. Não porque precisasse de ajuda. Mas porque aquilo era novo e eu não fin
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