As manhãs com Daniel entraram em um ritmo. Não uma rotina. Ritmo implicava escuta.
Eu acordava antes dele na maioria dos dias. Não por hábito, mas porque meu corpo já não esperava alarmes. A luz entrava suave pelas cortinas. A cidade lá embaixo parecia distante, administrável, como um problema já enquadrado. Acordar sem um alarme estridente me trazia paz. Paz suficiente para conseguir descansar.
Daniel dormia leve. Sempre dormiu. Uma mão geralmente repousava sobre o lençol, os dedos curvados, c