Nós nos vestimos devagar. Não porque estivéssemos cansados. Mas porque não havia motivo para pressa. O quarto ainda guardava o nosso calor. Lençóis amassados. Cortinas meio abertas para o resto da luz do dia. O mar respirava lá fora como se tivesse todo o tempo do mundo.
Daniel abotoou a camisa sem olhar no espelho. Eu o observei da cama, vestindo o vestido que havia separado antes. Tecido macio. Costas nuas. Algo que pertencia à noite.
— Você está perigosa — ele disse.
— Eu sempre estou — resp