Nós nos vestimos devagar. Não porque estivéssemos cansados. Mas porque não havia motivo para pressa. O quarto ainda guardava o nosso calor. Lençóis amassados. Cortinas meio abertas para o resto da luz do dia. O mar respirava lá fora como se tivesse todo o tempo do mundo.
Daniel abotoou a camisa sem olhar no espelho. Eu o observei da cama, vestindo o vestido que havia separado antes. Tecido macio. Costas nuas. Algo que pertencia à noite.
— Você está perigosa — ele disse.
— Eu sempre estou — respondi. — Você só percebe mais agora.
Ele sorriu. Aquilo o agradava. Ele gostava do perigoso. Gostava do eficiente. Como uma assassina.
O restaurante ficava na beira do resort, pedra e vidro dobrados sobre o penhasco. Duas estrelas Michelin não significavam nada para mim até eu entrar ali. Então eu entendi. O silêncio importava. O movimento era preciso. Até a luz sabia onde cair.
Fomos conduzidos a uma mesa perto do terraço. O mar agora era negro. O céu, profundo e infinito.
Daniel pediu o vinho s