O apartamento tinha o mesmo cheiro. Envelhecido. Parado no tempo.
Diogo esperava perto da porta, mochila jogada sobre um ombro, mala já acomodada no corredor, fingindo que não estava nervoso.
— Pronto? — perguntei.
Fechei a porta sem sequer conferir se estava trancada. Já não era mais minha essa porta.
Diogo olhou em volta, dentro do carro novo — o chique que Daniel me dera quando fez meu antigo desaparecer. Ele testou todos os recursos, até os que eu mesma não sabia usar. Ainda cheirava a carro novo.
— Isso sim é carro! — disse ele.
— Vai se acostumando. Mamãe tem um emprego novo agora. E paga bem!
Aumentamos o volume da música e pegamos a estrada. Duas cidades adiante. As casas foram rareando em campos. Prédios deram lugar ao espaço. O tempo se esticou.
— Então… — disse Diogo, olhando pela janela. — Isso está mesmo acontecendo.
— Está.
— Você está tão diferente — disse com cuidado.
— Estou mais lúcida — respondi. — Consigo ver o mundo.
— E ele — disse Diogo. — Daniel.
— Sim. Isso ta