O céu já estava escuro quando Daniel me encontrou.
Eu estava à beira da piscina com uma cerveja. Sem sapatos. Casaco jogado de lado. Apenas o som da água e o murmúrio distante da cidade lá embaixo. A garrafa estava fria contra a minha mão.
Ele parou a alguns passos de mim e me observou por um momento antes de falar.
— Você parece alguém que sobreviveu a um dia — disse.
— Sobrevivi — respondi. — Por pouco.
Ele se aproximou e puxou a cadeira ao lado da minha, sem tocar ainda. Ele nunca apressava o primeiro contato. Era uma das coisas que eu estava aprendendo sobre ele.
— Diogo — disse. Não como pergunta.
— Sim.
Ele esperou.
Dei um gole antes de responder. Deixei o gosto se assentar.
— É agridoce — disse. — Você cria alguém para para o mundo. Esse é o objetivo inteiro. Ainda assim dói quando dá certo.
— Ele vai ficar bem — disse Daniel.
— Eu sei — respondi. — Mais do que bem. Ele vai ter uma vida que não começa em modo de sobrevivência. Era tudo o que eu sempre quis. Ainda assim… meu beb