Ana
O último dia.
Só de pensar assim já dava um aperto estranho no estômago, como se alguém tivesse colocado um peso quente ali dentro e deixado pra derreter devagar. Passei a manhã inteira andando pela casa igual uma barata tonta, mexendo em coisas que já estavam prontas, dobrando roupas que já estavam dobradas, checando a mala como se ela fosse explodir se eu olhasse pro outro lado.
Enquanto eu fingia arrumar tudo, Lex parecia… normal demais. Calmo demais.
Perigo.
Quando o Lex fica quieto, é porque tem um terremoto dentro dele.
Vi ele sentado no sofá, mexendo no celular sem realmente mexer. O olhar longe. O maxilar apertado. O ombro tenso. Eu conheço esse homem como conheço a palma da minha mão. Ele podia colar um adesivo escrito “tá tudo bem” na testa, que eu ainda assim ia ver a dor escondida.
Respirei fundo e me aproximei.
– Amor… – falei baixinho, me jogando ao lado dele.
Ele soltou um “hm?” preguiçoso, tentando parecer tranquilo, mas a voz dele vacilou. E isso me matou de um jei