Mundo ficciónIniciar sesiónEm um mundo onde os laços entre lobos determinam o equilíbrio entre o poder e a sobrevivência, uma matilha enfrenta desafios que irão definir seu futuro. Ayla Davis, uma loba que decidiu não ir ao encontro de seu parceiro destinado, decide se unir ao leal beta da matilha, acreditando que o amor verdadeiro nunca irá comandar o seu destino. Enquanto isso, Damon Kamau, o alfa, se vê pressionado a encontrar sua parceira predestinada, única chave para manter sua força e liderança diante de uma guerra iminente contra os caçadores humanos. À medida que os ventos da batalha se aproximam, cada lobo deve confrontar seus sentimentos, suas escolhas e o destino que os aguarda, enquanto o perigo espreita de todos os lados.
Leer másHá cinco anos, Ayla enfrentaria sua primeira Bruma.
O medo do desconhecido se enroscava em seu peito como garras invisíveis. Quando uma loba entra no período fértil, não é apenas o corpo que muda, uma aura inebriante de desejo e luxúria se espalha pelo ar, despertando instintos primitivos e atraindo olhares perigosos.
Ela já tinha visto o que a Bruma era capaz de fazer. Ainda se lembrava da prima, do olhar febril, da respiração descompassada, dos lobos que surgiram de todos os lados como predadores sentindo sangue na água. Naquela noite, Ayla decidiu que seria diferente.
Trancada em casa.
Sozinha.
Intocável.
Mas nada sairia como planejado.
O sol da manhã atravessou as cortinas e invadiu seu quarto, derramando luz dourada sobre suas bochechas salpicadas de sardas. Ela gemeu baixo e cobriu os olhos com o antebraço, tentando fugir da claridade.
Uma batida repentina na porta a fez se sentar na cama.
— Acorda, filha! Já são quase onze horas. Você precisa se arrumar… hoje é o grande dia — chamou sua mãe, do outro lado.
Ayla soltou um suspiro pesado.
— Já vou levantar…
Hoje era o dia que todas as mães aguardavam com ansiedade e temiam em silêncio. O dia da primeira transformação.
Aos dezoito anos, toda mulher da matilha passava pela Bruma.
Era inevitável.
Natural.
Selvagem.
E, por algum motivo cruel, parecia enlouquecer todos os homens ao redor, o pensamento fez seu estômago revirar, ela não queria viver aquele dia. Não agora. Talvez nunca.
Levantou-se devagar e seguiu para o banho, deixando a água morna cair sobre sua pele enquanto tentava acalmar o coração inquieto. Seu único objetivo era passar despercebida.
Escolheu roupas largas, um moletom grande demais e uma blusa folgada, como se o tecido pudesse escondê-la do mundo. Prendeu o cabelo ruivo em um coque despretensioso e desceu as escadas.
O cheiro de bacon invadiu seu nariz antes mesmo de chegar à cozinha. Sua mãe havia preparado um verdadeiro banquete. Assim que a viu, abriu um sorriso e caminhou até ela, envolvendo-a em um abraço apertado, um abraço que dizia, sem palavras: eu vou te proteger.
Ayla fechou os olhos por um instante, permitindo-se sentir aquela segurança.
— Venha — disse sua mãe, puxando um dos bancos do balcão. — Precisamos conversar… sobre o que pode acontecer hoje. Se você quiser que aconteça.
— Eu realmente não queria ter essa conversa — murmurou Ayla, quase em um sussurro, mas se sentou mesmo assim. — Mãe, eu já sei de tudo.
Sua mãe sustentou seu olhar.
— Quando conversamos da primeira vez, você era jovem demais para entender. Agora não é mais
Ela hesitou por um segundo antes de continuar.
— A Bruma é uma mistura perigosa de emoção e instinto. Se deixar que ela te domine, pode acabar se envolvendo em situações… ruins.
O silêncio pesou entre elas.
— Não quero que ninguém te machuque — acrescentou, com a voz agora mais baixa. — Principalmente esta noite. Os lobos jovens perdem o controle quando sentem nosso cheiro… ainda mais durante o sangramento.
O desconforto fez Ayla desviar o olhar.
— Pode ficar tranquila. Eu nem pretendo sair de casa hoje.
Sua mãe soltou um suspiro leve.
— Não se prenda, minha filha. Quando sua loba despertar… você vai sentir o chamado da floresta. É mais forte do que qualquer parede.
Ayla a abraçou novamente antes de subir. Talvez a mãe estivesse certa, mas ela tentaria resistir.
O dia se arrastou lentamente, como se o próprio tempo prendesse a respiração à espera da noite.
O dia se arrastou lentamente, como se o próprio tempo prendesse a respiração à espera da noite.
E então ela chegou.
O calor veio primeiro, suave, quase agradável, espalhando-se por seu corpo como um toque invisível e insistente. Deitada na cama, Ayla fechou os olhos e se permitiu sentir. Era como se o ar tivesse se tornado mais denso, mais quente, roçando sua pele com promessas perigosas.
Cada nervo despertava, vivo demais. Cada respiração descia mais profunda, enchendo seus pulmões de um fogo lento que se acumulava no baixo ventre.
Seus dedos deslizaram distraidamente pelos próprios braços, traçando a curva da cintura, descendo pela barriga. O simples contato fez sua pele arder, um formigamento elétrico que se concentrava entre as coxas. Um suspiro trêmulo escapou de seus lábios quando a palma da mão roçou a parte interna da perna, subindo devagar, quase por vontade própria. O desejo pulsava ali, quente, úmido, exigente, uma necessidade primitiva que a Bruma despertava sem piedade.
Por um segundo, seus dedos hesitaram na borda da calcinha, tremendo. O calor entre suas pernas latejava, implorando por alívio. Ela mordeu o lábio inferior com força, sentindo o corpo arquear levemente contra a cama, os mamilos endurecidos roçando o tecido fino da blusa.
Quando percebeu o quão perto estava de ceder, de tocar onde o fogo mais queimava, Ayla ficou paralisada, assustada com a intensidade do próprio desejo.
— Não… — murmurou, rouca, retirando a mão como se tivesse se queimado.
Mas a Bruma já havia começado. E ela não aceitava recusa.
Correu para o banheiro, as pernas instáveis, e abriu o chuveiro no frio. A água gelada deveria trazer alívio, mas parecia evaporar antes mesmo de tocar sua pele febril. Seu corpo queimava por dentro, um fogo que não se apagava com água, apenas se espalhava, lambendo cada curva, cada ponto sensível.
Então veio a dor.
Uma dor crua, dilacerante, misturada ao prazer proibido que ainda pulsava entre suas coxas.
Seus ossos se contorceram, músculos se contraíram, e um estalo seco ecoou pelo banheiro. Ofegante, desligou o chuveiro e se enrolou na toalha, tentando chegar ao porão, ou em qualquer lugar onde pudesse se esconder.
Não conseguiu.
A dor atravessou seu corpo como um raio, derrubando-a no chão.
— Por favor… ainda não… — implorou, com as mãos tremendo.
Mas sua loba não podia ouvi-la, ainda não estavam ligadas.
O primeiro uivo rasgou sua garganta antes que percebesse, um som carregado de dor e poder.
Ayla sentiu algo se romper dentro de si, não soube dizer se era coragem ou rendição. — Aceito — disse, e a palavra teve o gosto amargo de uma sentença. Por um segundo, ninguém reagiu. Então o salão explodiu em aplausos. Noah levantou-se num impulso, a alegria transbordando de cada gesto, e a ergueu do chão como se ela não pesasse nada, girando-a no ar enquanto ria, tomado por uma felicidade quase infantil. — Eu te amo! Eu te amo! Antes que Ayla pudesse respirar, ele a beijou. E foi nesse exato instante que o mundo de Damon desmoronou. Não foi metáfora, ele sentiu. Como se uma força invisível tivesse atravessado seu peito e apertado seu coração até fazê-lo rachar. O ar se tornou pesado, insuficiente, difícil de puxar para dentro dos pulmões. Apolo enlouqueceu. Um rosnado grave vibrou em sua mente, feroz, assassino. Ela é nossa. Ver seu Beta, seu irmão de vida, seu braço direito, beijar a mulher que o destino havia marcado como sua foi mais do que podia suportar. Cada célula de s
Encostado com imponência próxima às grandes janelas do salão, ele parecia maior do que todos ao redor, não apenas pela postura, mas pela aura de poder que pulsava silenciosa. Seus olhos dourados a prenderam no mesmo instante, como se nunca tivessem se afastado desde a pequena sala. O canto de sua boca se moveu quase imperceptivelmente, não em um sorriso… mas em reconhecimento.Predador e presa.Destino e fuga.— Damon, meu grande amigo — Noah continuou, orgulhoso, sem perceber a tensão que praticamente crepitava no ar. — Este é o nosso Alfa. E esta é minha namorada, Ayla.Namorada. A palavra pareceu rasgar o espaço entre eles. Por um segundo, um único segundo algo escuro atravessou o olhar de Damon.Não era surpresa.Era posse ferida.Ayla reuniu cada fragmento de controle que ainda possuía e estendeu a mão, rezando para que ele não percebesse o tremor sutil em seus dedos.— Prazer, Alfa — disse, mantendo os olhos baixos. Se o encarasse, sabia que estaria perdida.Mas Damon não aceito
Quando ele finalmente a beijou, foi como se dois mundos colidissem. O beijo começou urgente, faminto, e rapidamente se aprofundou em algo selvagem. Suas línguas se encontraram com necessidade crua, o gosto dele invadindo-a, quente, masculino, viciante. Damon gemeu baixo contra sua boca, um som que reverberou direto entre as pernas dela.Sem pensar, ele a ergueu nos braços com facilidade. Ayla envolveu as pernas ao redor de sua cintura instintivamente, sentindo a rigidez dele pressionar exatamente onde seu corpo mais latejava. Ele a deitou sobre a mesa com um movimento fluido, pairando sobre ela, os olhos dourados devorando cada centímetro.Os cabelos ruivos de Ayla estavam bagunçados, o vestido havia subido nas coxas, o rosto corado, a respiração ofegante. Seus olhos ametista brilhavam com uma intensidade quase sobrenatural. Ela era tudo. Tudo o que ele precisava. Tudo o que ele jamais permitiria que fugisse novamente.— Eu quero você — murmurou Damon contra o pescoço dela, a voz rouc
Quando Noah foi embora, Ayla permaneceu imóvel no jardim, o olhar perdido. Precisava de um plano.Evitar o Alfa seria quase impossível, quando dois destinados ocupam o mesmo espaço, o mundo parece conspirar para aproximá-los. Ainda assim, ela lutaria com tudo o que tinha.Porque encontrar Damon não significaria apenas ser vista.Significaria o começo de um destino do qual talvez nunca mais conseguisse fugir.A mãe de Ayla havia separado um vestido verde para ela. O tecido justo moldava-lhe o corpo com perfeição, realçando suas curvas, enquanto os detalhes dourados acrescentavam um ar de nobreza impossível de ignorar. A cor favorecia seus cabelos ruivos, presos em um meio-coque alto, com o restante solto, caindo pelos ombros em ondas indomáveis. Ayla estava deslumbrante. A mãe a observava com orgulho silencioso, satisfeita com o resultado, como se estivesse entregando ao mundo algo precioso demais para ser tocado sem cuidado.Quando o relógio marcou oito horas, a campainha tocou. Noah
Último capítulo