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CAPÍTULO 5 — Finalmente, Minha Luna

Quando Noah foi embora, Ayla permaneceu imóvel no jardim, o olhar perdido. Precisava de um plano.

Evitar o Alfa seria quase impossível, quando dois destinados ocupam o mesmo espaço, o mundo parece conspirar para aproximá-los. Ainda assim, ela lutaria com tudo o que tinha.

Porque encontrar Damon não significaria apenas ser vista.

Significaria o começo de um destino do qual talvez nunca mais conseguisse fugir.

A mãe de Ayla havia separado um vestido verde para ela. O tecido justo moldava-lhe o corpo com perfeição, realçando suas curvas, enquanto os detalhes dourados acrescentavam um ar de nobreza impossível de ignorar. A cor favorecia seus cabelos ruivos, presos em um meio-coque alto, com o restante solto, caindo pelos ombros em ondas indomáveis. Ayla estava deslumbrante. A mãe a observava com orgulho silencioso, satisfeita com o resultado, como se estivesse entregando ao mundo algo precioso demais para ser tocado sem cuidado.

Quando o relógio marcou oito horas, a campainha tocou. Noah apareceu à porta usando um terno branco impecável, com uma gravata verde que combinava perfeitamente com o vestido de Ayla. Juntos, pareciam um casal destinado, aos olhos de todos, eram a imagem perfeita de equilíbrio e amor. E, ainda que não fossem ligados pelo laço verdadeiro, gostavam-se o suficiente para permanecerem juntos, sustentando uma ilusão confortável.

O objetivo daquela noite era simples: passar despercebida. Ayla faria tudo o que estivesse ao seu alcance para evitar o Alfa Damon.

 Ao entrarem no salão, foram engolidos por uma multidão de membros da alcateia. Até os mais pobres estavam presentes, embora fosse evidente o desconforto da realeza ao se misturar.

A divisão de classes era clara mesmo em um baile.

Em um canto estavam os Lycanos, jovens lobos adotados recentemente, com poucas posses e sempre tratados como forasteiros.

No centro, os Lycas, aqueles que nasceram e cresceram na alcateia.

E, na parte superior, a realeza observava tudo, distante, soberba.

Ayla não queria fazer parte daquele grupo de pessoas fúteis e egocêntricas. Observava os olhares carregados de desprezo direcionados às classes inferiores… e também a ela, por estar ao lado de Noah.

Embora ele fosse o braço direito do Alfa e visto como parte da elite, sua origem Lycas nunca era esquecida pelos verdadeiros nobres.

Noah estava radiante naquela noite. Havia esperado por aquele momento mais do que gostaria de admitir, finalmente apresentaria a mulher que amava ao seu melhor amigo. Durante anos falara de Ayla em conversas casuais, em reuniões, em treinos, até mesmo nas noites mais difíceis, quando Damon questionava se algum dia encontraria sua própria companheira.

O Alfa já não suportava mais ouvir sobre ela… e, ainda assim, carregava uma curiosidade silenciosa para conhecer a loba que fora capaz de roubar o coração inabalável de seu Beta.

Mas, durante todo o baile, Damon não apareceu.

Quando os conselheiros vieram buscar Noah, a notícia caiu como uma pedra em seu peito: o Alfa estava muito mal e talvez não conseguisse descer ao salão. A preocupação tomou conta dele imediatamente. Não apenas pelo líder…, mas pelo amigo que considerava um irmão. A ideia de não poder fazer aquela apresentação naquela noite trouxe uma pontada de frustração, queria que Damon visse com os próprios olhos a felicidade que ele havia encontrado.

Ayla decidiu caminhar pelo salão. Daphine estava inquieta dentro dela, reagindo a algo que não conseguia ignorar. A sensação era sufocante, quase dolorosa. A presença do seu destinado estava ali. O ar parecia pesado demais para seus pulmões. Sem pensar, Ayla correu, buscando qualquer lugar onde pudesse se esconder.

Encontrou uma pequena sala e entrou apressada, fechando a porta atrás de si. Suspirou aliviada por um breve segundo, acreditando estar sozinha, longe daquela sensação inebriante de desejo que parecia sugar o ar do salão inteiro.

Então sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando percebeu uma respiração quente atrás de si.

Ayla fechou os olhos no instante em que um hálito escaldante tocou seu pescoço, enviando uma onda de calor direto até o centro de suas pernas.

— Finalmente te achei — uma voz grave e rouca sussurrou em seu ouvido, carregada de fome e alívio. — Minha Luna.

Ela se afastou rapidamente e virou-se para encará-lo, embora seu corpo já soubesse. A atração era esmagadora, quase violenta, como se o ar entre eles tivesse se transformado em algo vivo e exigente. Seus joelhos fraquejaram. A Bruma adormecida dentro dela despertou com fúria, fazendo seu ventre pulsar e a pele formigar.

— Não sei do que está falando — respondeu, chocada, quase paralisada. Sua voz saiu mais fraca do que gostaria. — De qualquer forma… com licença.

— Você não vai a lugar nenhum.

Damon segurou seu braço com firmeza, mas sem machucar, e a fez virar completamente. No momento em que seus olhos se encontraram, o mundo pareceu desaparecer. A falta de ar foi intensa, quase dolorosa. Os olhos de Ayla brilharam em um roxo vibrante e profundo; os dele, em um dourado ardente, primal. O vínculo pulsou entre eles como um coração vivo, puxando, exigindo, queimando.

Damon soube naquele instante que havia encontrado sua Luna. A presença dela o invadiu como oxigênio após o afogamento, sua força retornava, seu poder se reacendia, quente e vivo. Ele nem sequer havia descido ao baile. Estava isolado naquela sala, enfraquecido, até que o cheiro dela o atraiu como um ímã irresistível.

— Por que estava se escondendo de mim? — Damon quebrou o silêncio, a voz baixa e carregada de fascínio quase reverente. — Você é… perfeita.

Ele ergueu a mão e acariciou o rosto dela com os dedos. Ayla permaneceu em transe. Sua mente gritava para que se afastasse, mas seu corpo traía cada ordem, inclinando-se levemente para o toque. Os dedos dele deslizaram devagar por sua boca entreaberta, roçando o lábio inferior, descendo pela linha do pescoço, explorando as bochechas salpicadas de sardas e os fios ruivos soltos, como se quisesse decorar cada detalhe com as mãos.

O toque era fogo puro.

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