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Entre a Lua e o Destino
Entre a Lua e o Destino
Por: Lethicya Mattos
CAPÍTULO 1 — O Despertar da Loba Branca

Há cinco anos, Ayla enfrentaria sua primeira Bruma.

O medo do desconhecido se enroscava em seu peito como garras invisíveis. Quando uma loba entra no período fértil, não é apenas o corpo que muda, uma aura inebriante de desejo e luxúria se espalha pelo ar, despertando instintos primitivos e atraindo olhares perigosos.

Ela já tinha visto o que a Bruma era capaz de fazer. Ainda se lembrava da prima, do olhar febril, da respiração descompassada, dos lobos que surgiram de todos os lados como predadores sentindo sangue na água. Naquela noite, Ayla decidiu que seria diferente.

Trancada em casa.

Sozinha.

Intocável.

Mas nada sairia como planejado.

O sol da manhã atravessou as cortinas e invadiu seu quarto, derramando luz dourada sobre suas bochechas salpicadas de sardas. Ela gemeu baixo e cobriu os olhos com o antebraço, tentando fugir da claridade.

Uma batida repentina na porta a fez se sentar na cama.

— Acorda, filha! Já são quase onze horas. Você precisa se arrumar… hoje é o grande dia — chamou sua mãe, do outro lado.

Ayla soltou um suspiro pesado.

— Já vou levantar…

Hoje era o dia que todas as mães aguardavam com ansiedade e temiam em silêncio. O dia da primeira transformação.

Aos dezoito anos, toda mulher da matilha passava pela Bruma.

Era inevitável.

Natural.

Selvagem.

E, por algum motivo cruel, parecia enlouquecer todos os homens ao redor, o pensamento fez seu estômago revirar, ela não queria viver aquele dia. Não agora. Talvez nunca.

Levantou-se devagar e seguiu para o banho, deixando a água morna cair sobre sua pele enquanto tentava acalmar o coração inquieto. Seu único objetivo era passar despercebida.

Escolheu roupas largas, um moletom grande demais e uma blusa folgada, como se o tecido pudesse escondê-la do mundo. Prendeu o cabelo ruivo em um coque despretensioso e desceu as escadas.

O cheiro de bacon invadiu seu nariz antes mesmo de chegar à cozinha. Sua mãe havia preparado um verdadeiro banquete. Assim que a viu, abriu um sorriso e caminhou até ela, envolvendo-a em um abraço apertado, um abraço que dizia, sem palavras: eu vou te proteger.

Ayla fechou os olhos por um instante, permitindo-se sentir aquela segurança.

— Venha — disse sua mãe, puxando um dos bancos do balcão. — Precisamos conversar… sobre o que pode acontecer hoje. Se você quiser que aconteça.

— Eu realmente não queria ter essa conversa — murmurou Ayla, quase em um sussurro, mas se sentou mesmo assim. — Mãe, eu já sei de tudo.

Sua mãe sustentou seu olhar.

— Quando conversamos da primeira vez, você era jovem demais para entender. Agora não é mais

Ela hesitou por um segundo antes de continuar.

— A Bruma é uma mistura perigosa de emoção e instinto. Se deixar que ela te domine, pode acabar se envolvendo em situações… ruins.

O silêncio pesou entre elas.

— Não quero que ninguém te machuque — acrescentou, com a voz agora mais baixa. — Principalmente esta noite. Os lobos jovens perdem o controle quando sentem nosso cheiro… ainda mais durante o sangramento.

O desconforto fez Ayla desviar o olhar.

— Pode ficar tranquila. Eu nem pretendo sair de casa hoje.

Sua mãe soltou um suspiro leve.

— Não se prenda, minha filha. Quando sua loba despertar… você vai sentir o chamado da floresta. É mais forte do que qualquer parede.

Ayla a abraçou novamente antes de subir. Talvez a mãe estivesse certa, mas ela tentaria resistir.

O dia se arrastou lentamente, como se o próprio tempo prendesse a respiração à espera da noite.

O dia se arrastou lentamente, como se o próprio tempo prendesse a respiração à espera da noite.

E então ela chegou.

O calor veio primeiro, suave, quase agradável, espalhando-se por seu corpo como um toque invisível e insistente. Deitada na cama, Ayla fechou os olhos e se permitiu sentir. Era como se o ar tivesse se tornado mais denso, mais quente, roçando sua pele com promessas perigosas.

Cada nervo despertava, vivo demais. Cada respiração descia mais profunda, enchendo seus pulmões de um fogo lento que se acumulava no baixo ventre.

Seus dedos deslizaram distraidamente pelos próprios braços, traçando a curva da cintura, descendo pela barriga. O simples contato fez sua pele arder, um formigamento elétrico que se concentrava entre as coxas. Um suspiro trêmulo escapou de seus lábios quando a palma da mão roçou a parte interna da perna, subindo devagar, quase por vontade própria. O desejo pulsava ali, quente, úmido, exigente, uma necessidade primitiva que a Bruma despertava sem piedade.

Por um segundo, seus dedos hesitaram na borda da calcinha, tremendo. O calor entre suas pernas latejava, implorando por alívio. Ela mordeu o lábio inferior com força, sentindo o corpo arquear levemente contra a cama, os mamilos endurecidos roçando o tecido fino da blusa.

Quando percebeu o quão perto estava de ceder, de tocar onde o fogo mais queimava, Ayla ficou paralisada, assustada com a intensidade do próprio desejo.

— Não… — murmurou, rouca, retirando a mão como se tivesse se queimado.

Mas a Bruma já havia começado. E ela não aceitava recusa.

Correu para o banheiro, as pernas instáveis, e abriu o chuveiro no frio. A água gelada deveria trazer alívio, mas parecia evaporar antes mesmo de tocar sua pele febril. Seu corpo queimava por dentro, um fogo que não se apagava com água, apenas se espalhava, lambendo cada curva, cada ponto sensível.

Então veio a dor.

Uma dor crua, dilacerante, misturada ao prazer proibido que ainda pulsava entre suas coxas.

Seus ossos se contorceram, músculos se contraíram, e um estalo seco ecoou pelo banheiro. Ofegante, desligou o chuveiro e se enrolou na toalha, tentando chegar ao porão, ou em qualquer lugar onde pudesse se esconder.

Não conseguiu.

A dor atravessou seu corpo como um raio, derrubando-a no chão.

— Por favor… ainda não… — implorou, com as mãos tremendo.

Mas sua loba não podia ouvi-la, ainda não estavam ligadas.

O primeiro uivo rasgou sua garganta antes que percebesse, um som carregado de dor e poder.

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