Aurora terminara de ler o primeiro capítulo de Sobrevivente da Casa Azul com um nó na garganta.
O texto era cru, direto, sem artifícios literários. Mas havia algo de imensamente poderoso naquela linguagem quase documental — como se a autora tivesse escrito com o sangue que não pôde derramar à época.
A história começava com uma lembrança aparentemente banal: a troca das roupas comuns por o uniforme azul desbotado da instituição.
“Ali, naquela troca silenciosa de tecido, deixei minha identidade e