Mundo ficciónIniciar sesiónELLA…
A primeira coisa que senti foi dor. Não uma dor comum, mas uma que parecia morar dentro dos ossos, como se alguém tivesse arrancado pedaços de mim e colocado tudo de volta no lugar errado. A segunda coisa foi o silêncio. Um silêncio pesado, quase sufocante, como se o mundo estivesse preso entre um suspiro e um grito. Quando tentei abrir os olhos, a luz me cortou incomodando meus olhos. Apertei as pálpebras, respirei fundo. Foi aí que notei o cheiro: forte, frio, metálico. Hospital. Meu coração disparou. Hospital. Por quê? As lembranças vieram em ondas, batendo contra mim com tanta força que quase desejei desmaiar de novo: Mãos me segurando, a porta se fechando, a voz ameaçadora: “Se gritar, ela morre.” O gosto salgado das lágrimas que não consegui segurar. Estava tudo gravado na minha cabeça, e também no meu corpo. Senti o ar preso na garganta. Uma lágrima quente escapou antes que eu pudesse impedir. Tentei levantar a mão para enxugar, mas meu braço era chumbo. O corpo inteiro estava pesado. Fraco. Quebrado. “Calma, calma…” Uma voz suave cortou o silêncio, e eu virei o rosto devagar. Doeu. Tudo doía. Lia estava ali, do meu lado, com os olhos vermelhos e o cabelo preso de qualquer jeito. Parecia que não dormia há dias. Quando me viu, os lábios dela tremeram, e lágrimas começaram a descer sem parar. LIA: Meu Deus… Ella… você acordou. Tentei falar, mas minha garganta doía. Só saiu um som rouco, quase sem vida: “ Li…a…” Ela se inclinou rápido, pegou minha mão como se eu fosse escapar de novo. LIA: Eu estou aqui… eu estou aqui com você, tá? Ninguém vai te machucar mais. Eu juro. Agora nós estamos seguras, eles não vão deixar ninguém tocar em você. Fechei os olhos por um instante, tentando me segurar, mas tudo estava errado. Tudo. Meu corpo não era mais meu. Havia uma dor fria, latejando em lugares que eu não queria lembrar. Senti um aperto no peito, e a pergunta saiu, quebrada, engasgada: “Eles… eles quem? Então ouvi outra coisa. Passos. Firmes, pesados, enchendo o quarto como um trovão antes da tempestade. Meu corpo inteiro gelou antes mesmo da porta se abrir. Quando os passos pararam, eu abri os olhos. E lá estava ele. Ethan Ravelli. Encostado no batente, com os olhos mais sombrios que eu já tinha visto na vida. Um silêncio brutal o envolvia, mas eu podia sentir a fúria queimando sob a pele dele. Eu estava fragilizada, com medo, com dor na alma, mas quando eu olhei para ele, senti a terra parar. Forte, imponente é com cara de poucos amigos. Por um momento a dor passou. O medo se acomodou em algum lugar. Ele transmitiu paz e segurança, mesmo não sabendo porque. ETHAN: Como você está? “Como deveria estar? O que o senhor está fazendo aqui?” LIA: Vai com calma mocinha. O senhor Ravelli e o doutor Miguel estão nos ajudando. ETHAN: Assim que você receber alta Fontana, você vai para o meu apartamento… Até que eu encontre esses caras. Fiquei confusa por alguns segundos. Não fazia nenhum sentido. Ethan Ravelli se envolvendo na minha vida. LIA: Ella, você está num hospital, pode ser mais adorável? Lia definitivamente começou a me aborrecer em larga escala. “Eu não irei a lugar nenhum! Não vou morar com um estranho!” ETHAN: Ótimo! Maravilha, agora eu sou um estranho. MIGUEL: Ah, Ethan… vai com calma. Miguel se aproximou com as mãos no bolso e de forma tranquila me explicou. MIGUEL: Não é o momento nem o local adequado para falarmos disso, mas o seu irmão mandou esses homens atrás de você para cobrar uma dívida dele. Só queremos que vocês fiquem em segurança até resolvermos isso. Ethan deu dois passos, parou ao lado da cama e se inclinou, apoiando as mãos no corrimão metálico. ETHAN: Você está segura agora. Ninguém vai encostar um dedo em você de novo. Olhei para ele sem dizer nada. Porque, por mais que eu quisesse acreditar, a sensação que me dominava era outra: medo. Ele percebeu. E isso pareceu irritá-lo, porque apertou a mandíbula e inspirou fundo antes de falar de novo: ETHAN: Eu pedi para arrumarem os quartos de hóspedes. Assim que sair daqui, vai direto para o meu apartamento. Lia já se instalou. Pisquei, tentando ter certeza de que ouvi direito. “O quê?” ETHAN: Não vou repetir, Isabella. O tom dele endureceu. ETHAN: Você vai comigo. Fiquei olhando pra ele por uns segundos, sentindo a raiva borbulhar devagar, como lava subindo pela garganta. Até que saiu. “ Agradeço sua preocupação, senhor Ravelli, e toda sua ajuda… mas quem disse que eu quero morar com o senhor?” Ele arqueou a sobrancelha, descruzou os braços e inclinou a cabeça como quem encara um desafio. ETHAN: Quem disse que você tinha escolha? “ Desculpa?” Minha voz alterou, mesmo com a dor cortando por dentro. “Olha aqui, eu posso estar quebrada, mas surda eu não estou. Escolha eu tenho sim, e acabei de usar: NÃO vou morar com você! Ele riu. Um riso baixo, sem humor, que me fez querer jogar algo na cara dele. Pena que não tinha nada além do travesseiro. ETHAN: Continua teimosa… até depois de quase morrer. Essa garota é estúpida, Miguel! Senti meu sangue ferver. “Estúpida, não! Eu só não vou deixar um milionário controlador decidir a minha vida como se eu fosse uma boneca quebrada que precisa ser guardada numa prateleira. E tem mais, eu vou dar um jeito de te pagar tudo, mas eu não quero ter contato com você. Os olhos dele brilharam com algo perigoso. Mas não era raiva… era outra coisa. Algo que me fez engolir seco. ETHAN: Uma boneca quebrada? Ele repetiu, baixando a voz até virar um sussurro cortante. ETHAN: Isabella, o problema é seu! Eu estou aqui tentando ajudar, mas se não quer ajuda vai para o... “ Vai você seu estúpido arrogante! Eu não pedi nada para você, então pode ir embora quando quiser!" ETHAN: Claro que não, você tem uma família linda que te ama e cuida de você… ah, e tem também um noivo. Liga para ele e pede para ele te proteger daqueles caras. ELES TE MACHUCARAM! SERÁ QUE A PERDA DE SANGUE AFETOU TEUS NEURÔNIOS?! Ele esfregou na minha cara que eu não tinha ninguém. Que minha família não se importava comigo. MIGUEL: Ethan deixa ela… vamos tomar um café. Ela está debilitada, não fale assim com ela! “E não precisa voltar aqui! Eu nem sei porque você saiu da sua masmorra… Senhor escuridão!” Ele olhou para trás pronto para responder, mas Miguel empurrou ele para fora do quarto. "Que ódio desse babaca, Lia! Que direito ele tem para falar assim comigo? Infeliz..." LIA: Até agora pouco estava falando quase sem voz, de onde veio essa força? E Ella, para com isso! Eles socorreram você. O senhor escuridão pagou uma cirurgia caríssima, você ia perder o útero se não fosse ele. As palavras de Lia me calaram na hora. Eu não imaginava que ele fizesse tudo isso por mim. "Com que interesse, Lia? Por que o melhor advogado criminalista de Manhattan estaria fazendo tudo isso por mim?" LIA: Não sei, mas sei que estava certa. Ele não é só um advogado, então para de brigar com ele. Acredite em mim, é melhor correr para o lado de quem tem mais força, e eu sei que se aqueles caras voltarem, eles vão virar pineira nas mãos de Ethan Ravelli. Ela estava trêmula, com os olhos arregalados e com os ombros tensos. "Está me assustando, Lia e eu... Eu não quero ficar perto de ninguém. Eu tenho vergonha do que aconteceu, você errou em ter contado. Eu nunca, mas serei a mesma... nunca mais deixarei ninguém tocar em mim." LIA: Tudo bem, você está frágil, machucada e sabe o que é melhor para você, porém eu não posso ficar lá mais amiga. Eu não consigo entrar naquele apartamento. " Como você foi para casa dele? Morria de medi dele." LIA: Sim, mas depois que eu vi o desespero dele se cuidando de você? Amiga, existe uma química muito forte entre vocês dois. A forma como se olham, as brigas. Se existe alma gêmea, ele é a sua. " Cala boca Lia Watson, você está me aborrecendo demais!" Ela sorriu de lado, claramente debochando de mim.






