Capítulo 10

O café do hospital era pequeno, com luz fria e cheiro de pão amanhecido misturado ao de desinfetante. Ethan escolheu uma mesa no canto, afastada da movimentação. Precisava de silêncio para organizar os próprios pensamentos, mas era Miguel quem estava à sua frente, e Miguel nunca foi sinônimo de silêncio.

Miguel deu um gole generoso no café, fez uma careta e soltou um riso baixo.

MIGUEL: Sabe o que é engraçado, Ravelli? Você entra naquele quarto achando que vai mandar, e a garota… pá! Te desmonta como se fosse nada.

Ethan passou a mão pelo rosto, respirando fundo. Não respondeu.

MIGUEL: Nunca vi você perder o controle assim. Nunca. Cara, você está de quatro por ela. Assuma logo.

Os dedos de Ethan se fecharam ao redor da xícara. Ele manteve o olhar fixo no líquido escuro, como se pudesse afogar a raiva ali.

ETHAN: Miguel… Cala a boca!

A voz dele saiu baixa, carregada de ameaça.

Mas Miguel sorriu mais largo, como sempre fazia quando via uma brecha.

MIGUEL : Ah, qual é. É bonito ver você assim. Todo... humano.

Fez um gesto teatral com a mão.

MIGUEL: O grande Ethan Ravelli, o homem que não erra, perdendo a cabeça por uma universitária teimosa. Isso dava um filme, meu amigo.

Ethan ergueu os olhos devagar. Olhar de aço, frio, mortal. Mas Miguel continuou, sem medo.

MIGUEL: E a melhor parte? Você não vai conseguir domar essa menina. Nunca. Não importa quantos seguranças coloque, quantas ordens dê… ela vai olhar na sua cara e mandar você enfiar a autoridade sabe onde.

Um músculo pulsou na mandíbula de Ethan. Ele largou a xícara sobre a mesa com força demais, o som seco ecoando pelo café. Algumas pessoas olharam, mas ele não se importou.

ETHAN: Eu não estou tentando domar ninguém. Você ouviu muito bem o que a médica disse… só estou tentando mantê-las seguras. Ela não vai para o meu apartamento, aquela garota é teimosa como uma mula. Vou precisar da sua ajuda.

MIGUEL: Diga o que você precisa?

ETHAN: Vou passar um tempo com você, na sua casa. Assim, Isabella pode ficar à vontade na cobertura. Sem estresse e sem aborrecimento.

MIGUEL: Não? O senhor escuridão vai deixar a masmorra para a jovem em perigo? O QUE ela fez com você? Hahaha! Eu vivi para ver Ethan Ravelli encantado por uma menina muito mais jovem que ele e linguaruda.

ETHAN: Vai pro inferno, Miguel!

Miguel se recostou na cadeira, satisfeito com o próprio veneno, e completou com um sussurro carregado de provocação:

MIGUEL: Ela é diferente, cara. Você não manda nela. E sabe de uma coisa? Acho que é por isso que você está ferrado. Está interessado no desafio.

Ethan fechou os olhos por um segundo, buscando paciência. Quando voltou a abri-los, a frase saiu baixa, firme:

ETHAN: Acabou, Miguel. Terminou as gracinhas ?

O outro ergueu as mãos em rendição, rindo.

MIGUEL: Beleza, beleza… mas só por enquanto. Porque, meu amigo… você está caindo, e não têm paraquedas.

Ethan respirou fundo, mas não respondeu. Não porque Miguel estava certo… mas porque, no fundo, ele sabia que estava.

MIGUEL: Tenha paciência com ela. Ella já era teimosa, difícil de lidar e linguaruda como você disse, vai piorar agora. Ela se sente frágil, desprotegida. Ela sofreu um abuso. Cara é no mínimo compreensível que esteja na defensiva. E essa ideia de deixar o apartamento para ela é excelente. Assim ela não se sente violada, me entende?

Ethan ouviu com atenção.

MIGUEL: Agora grandão, vai comprar flores e chocolates para sua pequena. Vai pedir desculpa pela grosseria.

ETHAN: Mas nem ferrando, Miguel! Pedir desculpas para uma garota estúpida.

Miguel gargalhou novamente.

Ethan saiu do café com passos pesados, como se cada um fosse um insulto à própria dignidade. Miguel vinha ao lado, sorrindo feito criança em dia de parque.

MIGUEL: Olha a sua cara, Ravelli. Parece que vai cometer um homicídio só porque vai comprar um buquê. Ninguém morre por ser gentil.

ETHAN: Cala a boca, Miguel… Você precisa parar de me encher o saco. Mas continue, e eu vou diminuir seu lucro no escritório.

MIGUEL: Você não faria isso. E não dá, meu amigo. Isso aqui é histórico! Ethan Ravelli, o homem que nunca pede desculpas, indo comprar flores e chocolates. Eu devia filmar.

Ethan lançou um olhar tão gélido que faria qualquer um congelar por dentro. Qualquer um, menos Miguel, que apenas riu mais alto.

Na floricultura ao lado do hospital, a cena foi digna de registro.

 Sim, Miguel fez Ethan Ravelli comprar flores. Ethan, parado diante do balcão, imponente, mas com a expressão de quem estava prestes a declarar guerra.

ATENDENTE: Posso ajudar?

Ethan pigarreou, a voz grave e arrastada:

ETHAN: Flores. E chocolates. Os melhores.

MIGUEL: Ele quer algo bem romântico. Corações, muito vermelho, aquela coisa que grita “estou apaixonado e desesperado”. Fica comigo pelo amor de Deus?

Ethan girou lentamente a cabeça para Miguel, e por um segundo, parecia que ia esmagá-lo ali mesmo com as próprias mãos.

ETHAN: Miguel.

Miguel segurou o riso na hora.

MIGUEL: Tá bom, tá bom… só estou tentando ajudar.

No final, saiu de lá com um buquê impecável. Rosas, claro, e uma caixa de bombons caros. Parecia uma cena de propaganda, se não fosse a expressão de puro ódio no rosto dele.

De volta ao hospital, Miguel não parava de rir enquanto caminhavam pelo corredor.

MIGUEL: Sabe o que eu mais gosto nessa história? É que você vai entrar naquele quarto, com essa cara fechada, tentando parecer no controle… mas por dentro, tá rezando para a menina aceitar suas flores. Hahaha! Cara, isso é ouro!

Ethan ignorou, ou tentou. Cada palavra de Miguel era uma faísca no barril de pólvora. Quando chegou à porta do quarto, respirou fundo. A mão segurando as flores estava firme, mas os nós dos dedos estavam brancos.

Ethan entrou e eu estava sentada, os cabelos ainda um pouco bagunçados, olhando pela janela. Quando ouvi a porta, virei o rosto e o encarei. Olhar afiado, desafiador.

Ele ergueu o buquê e a caixa, sem jeito.

ETHAN: Trouxe isso… para você.

Eu arquei uma sobrancelha. Confesso que ver aquele homem charmoso, forte e “bonito” com um buquê de flores na mão, me desconcertou.

“Nossa… que honra. O senhor Ravelli comprando flores? Aposto que foi ideia do Miguel.”

Atrás dele, no corredor, Miguel quase engasgava de tanto rir. Ethan fingiu não ouvir.

ETHAN: É um gesto. Para você entender que não precisa ter medo. Quero que fique no meu apartamento. Vai ser melhor para sua segurança.

" E quem disse que eu quero? Eu não vou e nem quero morar com um desconhecido. Não confio em homens como você Ravelli.”

Ethan fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.

ETHAN: Fontana… não começa.

“Já comecei. Eu não vou. Acha mesmo que pode mandar em mim? Porque trouxe umas flores? Que bonitinho.”

Ele sentiu o sangue subir. Apertou o buquê com tanta força que algumas pétalas se soltaram. Num movimento seco, jogou as flores e os bombons na lixeira.

ETHAN: Quer saber? Vai pro inferno, Ella!

Virou as costas e saiu do quarto com passos duros, a raiva queimando por baixo da pele. Quando abriu a porta, encontrou Miguel quase caído de tanto rir.

MIGUEL: Meu Deus, Ethan! Você é uma comédia! Eu te avisei que ela ia acabar contigo! Deveria ter abordado a situação de outra forma…

ETHAN: Vai você também Miguel… você e suas ideias estúpidas! Ainda diz que entende de mulher. Não entende porra nenhuma! TANTO que a última te trocou por outra mulher! Se fosse bom de cama pelo menos ela não ia escolher…

MIGUEL: Ei! Não precisa perder a paciência e ofender!

Ethan só lançou um olhar mortal e continuou andando.

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