Um Lugar Diferente.

O carro seguia em silêncio.

Emily mantinha o corpo tenso, os olhos atentos à estrada. O caminho… era o mesmo. O mesmo que levava ao motel onde, horas antes, tudo havia desmoronado. O coração acelerou, e o medo voltou com força.

Vincent percebeu.

Queria conversar, aliviar aquele silêncio pesado, mas ela parecia fechada demais — como se qualquer palavra pudesse quebrá-la.

Ainda assim, tentou.

— Então… qual é o seu nome? — perguntou, esforçando-se para soar tranquilo.

Emily se assustou.

Eles nunca perguntavam nomes.

— Emily — respondeu, insegura.

— Emily… — repetiu, como se quisesse guardar o som. — O meu é Vincent. Mas pode me chamar de Vince.

Ela franziu levemente a testa. Aquilo era estranho. Ninguém se apresentava. Ninguém sorria daquele jeito. A lembrança de horas antes ainda queimava, e, sem perceber, começou a tremer.

Vincent notou.

E aquilo não fazia sentido. Ela trabalhava com estranhos todas as noites — por que parecia tão assustada agora, quando ele sequer a tocara? Primeiro os olhos inchados de choro. Agora, o tremor contido.

Algo tinha acontecido.

Pararam em um farol vermelho. Vincent respirou fundo e perguntou, com cuidado:

— Posso segurar sua mão?

Emily hesitou por um segundo, mas não ousou negar. Estendeu a mão devagar. Ele a envolveu com a sua, grande e quente, e começou a acariciá-la com o polegar.

Era estranho.

E, ainda assim… reconfortante.

Emily sentiu o corpo relaxar um pouco. Vincent, por sua vez, só conseguia pensar em como ela era linda — de um jeito que não tinha nada a ver com maquiagem ou roupas.

O medo voltou quando reconheceu a rua. Estavam perto do motel. O coração quase saiu pela boca.

Então, Vincent passou direto.

Emily soltou um suspiro aliviado — que não passou despercebido por ele.

Minutos depois, o carro parou diante do Ocean Club Hotel.

Ela arregalou os olhos.

Ele teria que ser muito rico para me trazer aqui só para isso, pensou. Ainda assim, sentia-se como uma criança entrando em um parque de diversões — tudo parecia grande, iluminado, distante da sua realidade.

Vincent notou o espanto e sorriu.

Queria que aquela noite fosse diferente. Pelo menos um pouco.

Entraram no hotel. O hall era amplo, dourado, elegante. Emily ficou completamente embasbacada — até lembrar da roupa mínima que vestia. O rosto esquentou tanto que parecia pegar fogo.

Sentiu vergonha.

Havia poucas pessoas ali: o recepcionista, algumas funcionárias da limpeza. Ainda assim, desejou desaparecer.

Vincent fez o check-in com naturalidade e foram conduzidos até um dos quartos principais. Ao sair, o funcionário disse, sorridente:

— Tenham uma boa noite, senhor e senhora.

Emily sentiu o rosto queimar ainda mais.

— Fica à vontade, tá? — disse Vincent, gentil.

Ela assentiu em silêncio.

— Você já jantou hoje?

Emily negou com a cabeça. Vincent pegou o cardápio e pediu alguns pratos para os dois.

Sentaram-se na cama. Emily preferiu encarar a parede. Vincent a observava, sem pressa, sem malícia — apenas curioso, atento.

O silêncio começou a incomodá-la. Então, criou coragem e olhou para ele.

Quando seus olhares se cruzaram, foi como um choque.

Os olhos dele eram de um azul intenso, profundo. Emily sentiu que poderia se perder ali — ou ficar olhando para sempre.

Vincent, por sua vez, finalmente descobriu a cor dos olhos dela.

Mel.

Brilhantes. Cheios de histórias não contadas. E ele queria ouvi-las.

— Por que você não fala comigo também? — perguntou.

— Eu posso? — perguntou ela, com medo.

— Por que não poderia?

Ela reparou no sorriso dele. Era bonito. Acolhedor.

— Não estou acostumada a falar com clientes… geralmente eles detestam.

— Bom — disse Vincent — eu gostaria muito que você falasse comigo.

— Você não é daqui, né?

— Não. Sou da Geórgia. Estou aqui a trabalho há três meses.

Ele estava encantado. Para muitos, ela seria apenas mais uma. Para ele, havia algo diferente ali — algo que não sabia explicar.

— Quantos anos você tem, Emily?

— Vinte e três. E você?

— Vinte e sete. Ganhei — disse ele, arrancando dela uma risada pequena.

— Está gostando do hotel?

— É lindo… — respondeu timidamente. — Mas você podia ter me levado a um lugar menos luxuoso. Eu passaria menos vergonha com essa roupa.

Ela ficou vermelha. Vincent achou adorável.

— E por que a forma como você se veste definiria você?

Emily ficou sem graça.

— No meu caso, define o que eu faço pra viver.

A tristeza na voz dela foi clara.

— Não define, não — disse ele, calmo. — O que você faz não te torna vulgar nem menos digna.

Ela o olhou surpresa.

— Você acha?

— Tenho certeza.

— É como palhaços que sofrem de depressão, nutricionistas acima do peso, médicos que fumam… — disse, dando de ombros.

Emily riu. De verdade.

— Acho que você tem razão.

Vincent se encantou com a risada dela.

E, sem que nenhum dos dois percebesse, aquela noite começava a mudar tudo.

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