A cidade ainda bocejava quando o carro preto deixou Valentina na zona portuária. O ar salgado misturava-se ao cheiro de ferrugem; a neblina envolvia os contornos dos armazéns como se escondesse pecados. O motorista não perguntou nada. Abriu a porta. O resto era com ela.
Vaga 19. Galpão C. As instruções repassavam na cabeça como um mantra. Valentina desceu os degraus metálicos com passos precisos, a jaqueta leve escondendo o coldre de tornozelo e o celular preto rente ao corpo. O coração batia