O esconderijo de Marcelo parecia menor naquela noite.
O ar estava mais denso, carregado de fumaça, suor e tensão. A lâmpada amarela no teto piscava com uma irregularidade irritante, como se o próprio lugar sentisse o desconforto do homem que o comandava.
Marcelo andava de um lado para o outro, o copo de uísque intocado na mão grossa. Não bebia. Não fumava. Não se sentava.
Sinais claros de que algo tinha saído do eixo.
Theodoro permanecia encostado perto da mesa, postura rígida, atento. Conhecia aquele silêncio. Era o tipo que antecedia decisões perigosas.
Marcelo parou de repente.
— Precisamos da mercadoria dela. — disse, enfim, a voz baixa, carregada. — Como conseguimos… sem ela?
Theodoro não respondeu de imediato. Escolheu as palavras com cuidado — coisa rara naquele lugar.
— Não conseguimos, senhor.
Marcelo virou o rosto devagar. O olhar era um aviso.
— Explique.
— Já seguimos Valentina. — continuou Theodoro. — Tentamos rastrear o fornecedor. Tentamos intermed