Capítulo 31 — A Dama da Itália

O celular vibrou sobre a mesa de mármore, quebrando o silêncio calculado do apartamento.

Valentina não se apressou.

Ergueu a xícara com dois dedos, deu um último gole no café já frio e a depositou no pires com precisão quase cerimonial. Só então pegou o celular.

— Alô. — a voz saiu firme, calma demais para quem estava prestes a encarar um homem como Marcelo.

Do outro lado da linha, Theodoro não perdeu tempo.

— O encontro está marcado. — disse. — Hoje. Próximo ao horário. Eu te passo o endereço.

Valentina apoiou o quadril na bancada, observando a própria imagem refletida no vidro da janela. A cidade pulsava lá embaixo, alheia à guerra que se armava nas sombras.

— O grande Marcelo com medo? — provocou, sem esconder o desafio.

Houve um breve silêncio do outro lado.

Theodoro não era um homem fácil de calar, mas Valentina tinha esse efeito. Ela brincava com o perigo como quem já havia feito as pazes com ele.

— Precaução, senhora. — respondeu por fim. — Nada além disso.

Valentin
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