O celular vibrou sobre a mesa de mármore, quebrando o silêncio calculado do apartamento.
Valentina não se apressou.
Ergueu a xícara com dois dedos, deu um último gole no café já frio e a depositou no pires com precisão quase cerimonial. Só então pegou o celular.
— Alô. — a voz saiu firme, calma demais para quem estava prestes a encarar um homem como Marcelo.
Do outro lado da linha, Theodoro não perdeu tempo.
— O encontro está marcado. — disse. — Hoje. Próximo ao horário. Eu te passo o endereço.
Valentina apoiou o quadril na bancada, observando a própria imagem refletida no vidro da janela. A cidade pulsava lá embaixo, alheia à guerra que se armava nas sombras.
— O grande Marcelo com medo? — provocou, sem esconder o desafio.
Houve um breve silêncio do outro lado.
Theodoro não era um homem fácil de calar, mas Valentina tinha esse efeito. Ela brincava com o perigo como quem já havia feito as pazes com ele.
— Precaução, senhora. — respondeu por fim. — Nada além disso.
Valentin