No escritório.
Victor estava ao lado da mesa, braços cruzados.
— Ela não tem medo da morte, senhor. — disse ele. — Ou finge muito bem.
Dominic girou o charuto entre os dedos, sem olhar para Victor.
— Ela não tem medo da morte, — corrige. — E é por isso que ela é perigosa.
Victor baixou o olhar.
Sabia que aquilo não era uma crítica.
Era… admiração disfarçada de alerta.
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O telefone vibrava, mas não era o comum.
Era o preto.
O exclusivo.
O dele.
Valentina atendeu sem saudação.
— Principessa. — A voz de Dominic veio baixa, grave, cortante. — Alguém está na sua cola.
A espinha dela gelou de cálculo, não de medo.
— Qual placa? — respondeu, já olhando pelos espelhos internos.
Dominic disse devagar:
— Carro preto. Final 4827. Dois homens. Um está com rádio, não celular.
Pequena pausa.
— O que quer fazer? Deixo você resolver… ou mando Victor resolver?
Valentina segurou o volante com uma mão, o batom impecável refletindo no espelho.
— Eu resolvo.