Dante
Alguns dias depois
O sonho não era mais um eco distante; era uma garra que me arrastava para o abismo, rasgando a carne da alma. O carro girava no ar como um brinquedo quebrado, o metal gritando em agonia, o cheiro de borracha queimada e gasolina invadindo minhas narinas como veneno. Fumaça negra sufocava o céu, chamas lambendo o aço como línguas famintas. Eu rastejava dos destroços, o sangue quente escorrendo pelo rosto, cegando um olho, o coração uma granada prestes a detonar no peito.