Dante
O silêncio do escritório era opressivo, quebrado apenas pelo tique-taque do relógio na parede. Sentei-me à mesa de carvalho, os dedos tamborilando no tampo, a mente vagando para o momento no corredor, na noite passada, quando meus lábios roçaram os de Emma. Fora um instante de fraqueza, um impulso que eu não conseguira controlar, e agora a memória daquele toque — tão leve, tão proibido — queimava em mim como uma brasa. Seus olhos castanhos, arregalados de choque, mas com um brilho que eu