Emma
Acordei com o sol da manhã invadindo o quarto, os raios quentes cortando as cortinas e iluminando as partículas de poeira que dançavam no ar. Mas o calor não alcançava o frio que se instalara em meu peito. Minha mente voltou à noite passada, ao corredor escuro, ao toque leve dos lábios de Dante nos meus — um roçar tão breve que deveria ter sido insignificante, mas que deixara meu coração acelerado e meu estômago cheio de borboletas. Como era possível? Como um homem que eu odiava, que me mantinha prisioneira, que me ameaçara com Salazar, podia despertar algo assim em mim? A confusão me engolia, uma mistura de raiva, medo e uma atração que eu não queria nomear. Fechei os olhos, tentando apagar a memória, mas o calor daquele toque permanecia, como uma marca que eu não conseguia esfregar.
Levantei-me, decidida a ignorar o turbilhão dentro de mim. Eu tinha um itinerário a seguir — Luca dependia de mim, e eu precisava me agarrar a algo sólido, algo que fizesse sentido. Vesti uma calça