Emma
O sol da manhã banhava o jardim da mansão, transformando as rosas vermelhas em pontos de fogo contra o verde escuro das folhas. Eu estava sentada em um banco de pedra, Luca ao meu lado, desenhando com giz colorido no chão de lajotas. Ele traçava o contorno de um dragão, a língua para fora em concentração, e eu não conseguia evitar um sorriso. Aquele menino, com seus seis anos e olhos negros tão parecidos com os de Dante, era a única coisa que tornava aquele lugar suportável. Mas, mesmo enquanto ria com ele, minha mente girava, planejando, calculando. O confronto no escritório ontem deixara uma marca — não apenas a raiva de Dante, mas o momento em que ele soltara meu braço, como se meu medo o tivesse feito recuar. Era uma brecha, pequena, mas real. Eu precisava explorá-la.
— Emma, olha! — exclamou Luca, apontando para o desenho. — É um dragão que protege o castelo. Igual ao meu pai.
Meu sorriso vacilou. O comentário de Luca sobre o “mal à espreita” ainda ecoava em minha cabeça, ju