Mundo de ficçãoIniciar sessãoAurora sempre acreditou que sua vida não passava de sobrevivência: empregos temporários, contas atrasadas e a solidão após a perda dos pais. Mas tudo muda quando uma ligação misteriosa a leva até a Tecnocare, a empresa mais influente da cidade — comandada por uma família bem poderosa, que possui segredos e é perigosa. Lá, ela conhece Kael Vescare, o herdeiro que parece odiá-la desde o primeiro olhar… mesmo assim, ele desperta nela sensações que não consegue explicar. Entre provocações afiadas, encontros sufocantes e uma atração impossível de ignorar, Aurora percebe que não consegue evitar o que sente por ele. O que ela não imagina é que sua presença naquele império não é coincidência — e que seu melhor amigo, Valentin, guarda segredos capazes de mudar tudo. Dividida entre lealdade, medo e desejo, Aurora descobrirá que entrar no mundo dos Vescare pode ser sua maior chance de melhorar de vida… ou não.
Ler maisCAPÍTULO EXTRAVALENTINEu sempre achei que conhecia todos os contornos da noite, cada sombra que se movia, cada murmúrio que surgia entre as árvores, cada segredo que o vento tentava carregar sem sucesso, mas naquela época, quando tudo começou, eu era apenas um garoto aprendendo a sobreviver em um mundo que não seguia as regras dos homens; seguia as regras do sangue. As histórias que me contaram sobre a queda das bruxas pareciam lendas antigas, narrativas distantes demais para serem reais, mas minha mãe sempre dizia que o passado nunca dormia — ele se arrastava, silencioso, esperando a hora certa de acordar. A guerra nunca começou com espadas, começou com amor. Começou com um erro. Começou com um lobo que acreditou poder desafiar o destino. Salvatore Vescari. O braço direito do alfa, o mais promissor guerreiro da alcateia, o único que carregava no corpo inteiro a marca da noite eterna, aquela que prometia força, disciplina e obediência. Mas ele não nasceu para obedecer. Ele nasceu
KAELO chamado atravessou minha mente como uma lâmina. Todos congelaram por um segundo — até que o instinto tomou o controle. Corremos pela trilha estreita no meio da floresta, os passos pesados ecoando no chão úmido, cada respiração vibrando como se algo nos arrastasse para a beira de um precipício.Quando chegamos à clareira, o mundo parou.O Alfa estava caído no chão, o corpo enorme estirado sobre as raízes, os olhos opacos mirando o nada. Não havia sangue. Não havia luta. Apenas… o fim. O fim inevitável que todos sabiam que viria, mas não agora, não assim, não antes da lua que selaria tudo.Um murmúrio de horror percorreu a alcateia.Eu senti o chão tremer.Vitória caiu de joelhos ao lado do pai, as mãos trêmulas sobre o peito dele. — Pai… pai!Salvatore avançou imediatamente, verificando respiração, pulso — mas era inútil.Ele apenas fechou os olhos do Alfa com um gesto lento.— Ele se foi — disse, a voz grave, sufocada.As palavras bateram no meu peito como um golpe.O Alfa mor
AURORAA copa da Tecnocare sempre teve aquele cheiro familiar de café forte misturado ao ar metálico do ar-condicionado, mas naquele dia tudo parecia mais distante, como se eu estivesse sentada dentro de um vidro grosso. O mundo continuava seguindo, funcionando, respirando, falar alto, digitar, rir — mas nada me alcançava. Eu estava ali, sentada no balcão, as pernas balançando distraidamente, mas a mente vagando por lugares que não pertenciam ao presente. Pela primeira vez em dias, eu estava sozinha comigo mesma, sem ninguém tentando me arrancar respostas que eu ainda não tinha.Fechei os olhos por alguns segundos e a lembrança veio com força, como se estivesse presa debaixo da minha pele esperando o momento certo para emergir. A conversa com Valentin na noite anterior. Eu me lembrava de cada palavra, cada expressão, cada silêncio.Estávamos sentados na sala, aninhados um ao outro como sempre fazíamos. Conversavamos pela primeira vez em muito tempo sobre coisas aleatórias, programas
AURORAEu acordei como quem retorna de um mergulho profundo demais, a respiração presa no peito, o coração batendo num ritmo que não parecia meu. A claridade suave da manhã atravessava a cortina fina do meu quarto, mas o tecido tremulava como se fosse uma sombra, como se algo no ar estivesse mais pesado do que deveria. Eu piscava devagar, tentando reconstruir o que tinha acontecido, mas tudo vinha em flashes desconexos: a floresta, o cheiro úmido do musgo, o brilho suave de algo que parecia luar mesmo sem ter lua, uma voz chamando meu nome, e Kael… queimando. Mas não podia ter sido real. Era impossível. Era bom demais, assustador demais, intenso demais para ser apenas sonho — e ao mesmo tempo, impossível demais para ser lembrança.Tentei me sentar, mas meu corpo protestou com uma exaustão que não fazia sentido. Era como se eu tivesse corrido quilômetros, como se tivesse drenado energia por horas e horas. Cada músculo parecia vibrar em uma tensão baixa que não doía, mas avisava. Algo d
Último capítulo