AURORA
A copa da Tecnocare sempre teve aquele cheiro familiar de café forte misturado ao ar metálico do ar-condicionado, mas naquele dia tudo parecia mais distante, como se eu estivesse sentada dentro de um vidro grosso. O mundo continuava seguindo, funcionando, respirando, falar alto, digitar, rir — mas nada me alcançava. Eu estava ali, sentada no balcão, as pernas balançando distraidamente, mas a mente vagando por lugares que não pertenciam ao presente. Pela primeira vez em dias, eu estava so