AURORA
Eu acordei como quem retorna de um mergulho profundo demais, a respiração presa no peito, o coração batendo num ritmo que não parecia meu. A claridade suave da manhã atravessava a cortina fina do meu quarto, mas o tecido tremulava como se fosse uma sombra, como se algo no ar estivesse mais pesado do que deveria. Eu piscava devagar, tentando reconstruir o que tinha acontecido, mas tudo vinha em flashes desconexos: a floresta, o cheiro úmido do musgo, o brilho suave de algo que parecia lua