Henrique percebeu que algo havia mudado antes mesmo de Ágata contar. Não foi um gesto, nem uma palavra direta. Foi o jeito como ela entrou no apartamento naquela noite, mais silenciosa do que o habitual, mas sem o peso que costumava carregar quando algo dava errado. Havia nela uma serenidade cansada, como quem atravessou um campo minado com cuidado e saiu inteira, ainda que com o coração acelerado.
Ele fechou o notebook e a observou por alguns segundos, respeitando o tempo dela. Aprendera, aos poucos, que Ágata precisava escolher quando falar. Não gostava de ser pressionada.
— A Diana veio buscar o Artur hoje — ela disse por fim, deixando a bolsa sobre a cadeira.
Henrique assentiu, atento.
— Eu sei. Ela me avisou.
Ágata respirou fundo antes de continuar.
— Conversamos.
O silêncio que se seguiu não foi de tensão, mas de expectativa. Henrique sentiu o estômago apertar. Aquela conversa era inevitável, mas ele temera cada segundo dela.
— E… como foi? — perguntou, contido.
Ágata se sentou