Diana estacionou o carro alguns minutos antes do horário combinado. Ficou ali dentro, com as mãos apoiadas no volante, respirando fundo como quem se prepara para atravessar um território desconhecido. Não era medo. Era orgulho ferido, misturado com uma curiosidade que ela se recusava a admitir.
Ela sabia que Artur passara a noite na casa do pai. Sabia que Ágata estava lá. Sabia também que não podia mais fingir que aquela mulher era apenas uma funcionária que “passaria”. Nada ali era passageiro.
Quando desceu, o porteiro avisou que Artur ainda estava se arrumando. Diana assentiu e esperou no hall. Não demorou muito para Ágata aparecer pelo corredor, com passos firmes, mas expressão serena. Vestia algo simples, sem excessos. Ainda assim, sua presença ocupava o espaço.
As duas se encararam por um breve segundo. Não havia hostilidade explícita, mas o ar entre elas carregava histórias não ditas.
— Bom dia — Ágata disse primeiro, educada, sem submissão.
— Bom dia — respondeu Diana, num tom