O risco começou a respirar

O perigo deixou de ser abstrato no dia em que Ágata percebeu que já não conseguia disfarçar.

O corpo reagia antes da mente. O olhar demorava demais. O silêncio entre eles gritava. Henrique chegava e o ambiente mudava. Funcionários percebiam. Não sabiam o quê, mas sentiam.

E o risco começou a ganhar forma.

Henrique já não conseguia manter a rotina longe do escritório. Arranjava desculpas, inventava urgências, voltava sem avisar. Não para trabalhar. Para vê-la. Para senti-la. Para saciar algo que já não tinha nome.

Ágata, por sua vez, vivia em alerta constante. O desejo a deixava elétrica, mas também vulnerável. Bastava o som da porta se abrindo para o coração acelerar. Bastava um olhar atravessado para o medo surgir.

Eles estavam indo longe demais. E sabiam.

Num fim de tarde, enquanto Ágata organizava documentos, ouviu passos no corredor que não reconheceu. Congelou. Henrique não estava ali naquele momento. O corpo reagiu antes da razão. O coração bateu forte demais.

Era apenas um func
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