Eles sabiam que estavam indo longe demais.
E, ainda assim, não paravam.
Sempre que Henrique encontrava um intervalo, um espaço entre compromissos, era para o escritório que ele voltava. Não por trabalho. Não por obrigação. Voltava porque ali estava Ágata. E com ela, tudo o que fazia seu controle ruir.
O encontro entre eles deixou de ser acidente. Tornou-se necessidade.
O desejo era urgente, quase feroz. Não havia mais ensaio, nem contenção. Cada aproximação vinha carregada de intensidade, como se o tempo estivesse sempre contra eles. Ágata sentia-se tomada, envolvida por uma força que a deixava sem defesas, sem pensamentos além daquele instante. Henrique, por sua vez, parecia incapaz de resistir à resposta do próprio corpo, à forma como ela reagia à sua presença.
Era repetido. Era impulsivo. Era perigoso.
Eles se buscavam como quem precisa respirar. Sem medir horários. Sem pensar nas consequências. O escritório, antes espaço de razão, tornou-se refúgio de excessos. A cada encontro, a