Henrique percebeu antes de admitir.
Não foi um toque. Nem uma palavra fora do lugar. Foi o jeito como Ágata riu no corredor, um riso que ele conhecia bem demais. Não porque fosse exclusivo, mas porque agora ele se sentia dono daquilo, mesmo sem ter esse direito.
Ela conversava com um fornecedor novo. Jovem. Atento. Inclinado demais sobre a mesa dela.
Henrique tentou se concentrar no que fazia. Abriu e fechou o mesmo e-mail três vezes. O estômago queimava, a mandíbula travada. Aquilo não fazia sentido. Ele não podia exigir nada. Não depois de tudo. Não com a vida que levava fora dali.
Mas o corpo não entendia lógica.
Quando o rapaz se afastou, Henrique levantou rápido demais. Ágata sentiu a mudança de energia antes mesmo de vê-lo. Ele parou diante da mesa dela, os olhos escuros, fechados em algo que ela não sabia se era raiva ou medo.
— Desde quando você fica tão… disponível? — ele perguntou, baixo.
Ágata ergueu o olhar devagar.
— Desde quando isso é da sua conta?
A resposta acertou em