O início do ano trouxe uma calmaria estranha. Não a calmaria vazia dos recomeços forçados, mas aquela que surge depois de uma tempestade que, enfim, cumpriu seu papel. O escritório retomou o ritmo, as conversas paralelas diminuíram, e o que antes era observado com lupa passou a fazer parte do cenário.
Henrique e Ágata aprenderam rapidamente que assumir não significava relaxar. Pelo contrário. Exigia mais atenção, mais respeito, mais presença. Não havia mais espaço para jogos, nem para improvisos emocionais. O desejo continuava ali, vivo, intenso, mas agora caminhava de mãos dadas com responsabilidade.
Eles não se tornaram um casal de gestos exagerados. Continuaram sendo quem eram: discretos, firmes, conscientes. Só que havia algo novo no ar. Uma segurança silenciosa.
Ágata percebeu isso numa manhã comum, enquanto organizava documentos e sentia o sol entrar pela janela. Henrique passou por ela, tocou de leve seu ombro, um gesto rápido, quase imperceptível para qualquer outro. Mas para