O que muda uma relação não é o momento em que duas pessoas se escolhem, mas o instante em que o mundo percebe essa escolha.
Até então, Henrique e Ágata existiam numa espécie de acordo tácito com o entorno. Não escondiam, mas também não anunciavam. Um equilíbrio frágil entre discrição e verdade. Só que relações verdadeiras têm um problema recorrente: elas começam a transbordar.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Não houve beijo em público. Nem mãos dadas ostensivas. Nada que pudesse ser apontado como prova irrefutável. Foi algo mais sutil. Mais perigoso.
O jeito como Henrique esperava Ágata para sair. Como os dois chegavam juntos com uma sincronia que não se ensina. Como ele passou a defender ideias dela em reuniões sem rodeios. Como o silêncio entre eles tinha peso de intimidade.
As pessoas sentem quando algo muda, mesmo sem entender exatamente o quê.
No escritório, os olhares começaram a durar meio segundo a mais. As conversas cessavam quando eles passavam. Não por escândalo, mas p