Henrique passou o dia inteiro inquieto. Não era nervosismo comum, daqueles que vêm antes de reuniões importantes ou decisões difíceis. Era algo mais fundo, mais íntimo. Pela primeira vez desde a separação, ele sentia que estava prestes a unir partes da própria vida que sempre existiram separadas.
Artur, seu filho, chegaria naquela tarde.
Do outro lado da cidade, Ágata também sentia o peso do momento. Enquanto ajudava Filipe a escolher uma camiseta limpa, percebeu o quanto aquele encontro era simbólico. Não se tratava apenas de apresentar pessoas. Era permitir que dois universos delicados se tocassem sem saber exatamente como reagiriam.
— Mãe, ele é legal? — Filipe perguntou, sentado na cama, balançando os pés.
Ágata sorriu de leve.
— Ele é uma criança como você. Gosta de brincar, às vezes fica bravo, às vezes fica quieto demais. Igualzinho a você.
Filipe pensou por alguns segundos.
— Então tá bom.
A simplicidade do filho a acalmou mais do que qualquer discurso interno.
Quando chegaram