Os dias seguintes caminharam com uma lentidão estranha, como se o tempo tivesse decidido observar Henrique de perto. Nada de grandes explosões, nenhuma cena dramática. Apenas o desconforto constante de quem abriu uma porta que não pode mais fechar.
Diana mudou primeiro no silêncio. Não cobrava, não perguntava, não investigava. Cumpria a rotina com uma precisão quase clínica. Preparava o café, organizava a casa, ajudava o filho com as tarefas. Mas havia algo novo ali: distância emocional. Não era frieza, era autoproteção.
Henrique percebeu isso tarde demais. Sempre achara que o perigo morava nos gritos, nas acusações, nas discussões acaloradas. Nunca no silêncio disciplinado de alguém que começa a se despedir por dentro.
Numa noite, enquanto o filho dormia, Diana quebrou a quietude.
— Eu pensei muito — disse, sentando-se no sofá, sem olhar diretamente para ele. — Não sobre ela. Sobre nós.
Henrique sentiu o estômago apertar.
— E o que você concluiu? — perguntou, com cautela.
— Que a gen