A noite seguinte chegou sem cerimônia, como chegam as noites que carregam decisões importantes. Não houve sinais, nem presságios. Apenas o cansaço acumulado de quem adiou conversas demais.
Diana estava sentada à mesa da cozinha, mexendo distraidamente uma xícara de café que já havia esfriado. Henrique observava aquele gesto repetitivo e percebeu, com um atraso doloroso, quantas vezes havia ignorado sinais semelhantes ao longo dos anos. Não era raiva o que havia ali. Era desgaste. Um tipo de desgaste que não grita, mas corrói.
— Você vai continuar nesse silêncio ou vai terminar o que começou ontem? — perguntou ela, sem levantar os olhos.
Henrique respirou fundo. Aquela conversa não era mais adiável.
— Eu não quero mais viver no automático — disse, com a voz baixa, mas firme. — E não é justo com você… nem comigo.
Diana finalmente o encarou. Os olhos estavam marejados, mas não frágeis. Havia força ali. Uma força cansada.
— Então fala logo, Henrique. O que mudou de verdade?
Ele pensou em