Mundo de ficçãoIniciar sessãoNada será capaz de aplacar o que foi despertado DEPOIS DA PRIMEIRA VEZ. Enrique e Aline, Evandro e Fernanda; pessoas de “mundos” diferentes que se entregam aos sentimentos apesar das consequências que o relacionamento pode trazer. Alguns percalços como a chegada de uma noiva que nunca havia sido citada, uma morte devastadora, um trauma cruel... Nada será capaz de aplacar o que foi despertado DEPOIS DA PRIMEIRA VEZ. As personalidades da Brasilian Music Gravadora se entregando a paixões. Descubra os segredos, anseios e entregas dessa picante intimidade.
Ler mais“Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe".
Mateus 19:6
Por mais que ele tentasse, não conseguia desviar o olhar de onde eu estava. Eu era a carne nova no lugar e, desde a entrevista, já sabia que ele sentia necessidade de ter todas as mulheres que passavam pela empresa.
Confesso que no início associei os comentários a assédio sexual, mas logo entendi que não era o caso. As funcionárias é que assediavam os patrões.
Ouvi que o sócio, que era solteiro, costumava escolher as funcionárias de acordo com suas preferências sexuais, pois assim não precisava se fazer de difícil ao receber os olhares maliciosos que sempre lhe eram direcionados.
A entrevista quase foi um desastre. Saber que beleza era um dos requisitos para o cargo me deixou com um pouco de raiva. Os poucos minutos que fiquei na sala de espera aguardando ser chamada foram suficientes para que algumas das funcionárias me colocassem a par de como funcionava a gravadora no sentido patrão e empregada, mesmo que eu demonstrasse não me interessar pelo assunto. Elas não se importavam com minhas respostas curtas e secas. Insistiam em relatar casos e mais casos relacionados aos patrões e suas vidas pessoais. Deixei que falassem até que uma senhora anunciou meu nome e me fez acompanhá-la.
Com passos um pouco vacilantes segui a senhora até uma sala no fim do corredor. Enquanto caminhava alisei a saia preta e a blusa branca num esforço para parecer apresentável depois de ter enfrentado o metrô e uma espera de quase uma hora para ser entrevistada.
Comecei a tremer no momento em que a porta dupla se abriu e vi os dois homens me aguardando. A beleza física deles intimidava. Tentei disfarçar o nervosismo analisando cada detalhe da sala, mas o solitário quadro impressionista na parede no qual era ilustrado um casal conversando cercados por muitas cores; os livros e revistas no cesto próximo a poltrona dos visitantes e a janela de vidro que abria para um cenário de prédios e automóveis não eram suficientes para desviar minha atenção daqueles homens.
Depois de um aperto de mão em cada um, me sentei na única cadeira em frente à mesa do escritório enquanto eles analisavam meu currículo com um sorriso calculado nos rostos. O mais alto, Evandro, seria meu chefe se eu fosse aprovada. O outro, Enrique, seria minha cruz.
Percebi que ele demorou a soltar minha mão e seus olhos passeavam pelo meu corpo não muito disfarçadamente. Sentia que ele me despia com o olhar.
Naquele momento temi não ser contratada, pois como sócio ele poderia interferir na minha contratação. Soube que não admitia mulheres que não faziam o seu tipo, e seu sócio não se importava em aprovar apenas candidatas que satisfizessem as vontades dele; desde que fossem competentes.
Eles fizeram algumas perguntas sobre minhas experiências anteriores, o que eu esperava da empresa, meus planos para o futuro e disponibilidade para horários não convencionais e viagens. Depois me dispensaram pedindo para aguardar um contato.
No dia seguinte recebi o telefonema informando que seria contratada para começar no início da outra semana. A notícia me deixou extremamente feliz. Liguei para meus pais contando a novidade e eles ficaram muito felizes com minha conquista.
*
Com o tempo percebi que muito do que as funcionárias falaram no dia de minha entrevista era mentira. Enrique não ficava simplesmente com todas as mulheres da empresa, ele gostava mesmo era do prazer da conquista, pois nunca o vi sair com nenhuma mulher duas vezes desde o momento em que comecei a trabalhar com eles.
Era difícil entender qual tipo de mulher Enrique gostava, pois cada vez o via sair com uma diferente; eram loiras, ruivas, morenas, baixas, altas, todo tipo de mulher, todas lindas.
Sua secretária às vezes deixava escapar uma reclamação ou outra sobre os telefonemas que os casos dele faziam diariamente.
Sem perceber comecei a analisar minha aparecia quando ele estava por perto. Eu também era bonita, a academia me ajudava a manter o corpo já magro em forma, meus cabelos ondulados e castanhos viviam brilhantes graças à atenção que dava a eles. Meus olhos castanhos claro expressavam tudo que eu sentia, o que às vezes era um problema, porque eu tinha o hábito de conversar sempre olhando nos olhos das pessoas e isso tornava mentir uma tarefa quase impossível. Este detalhe era algo que atrapalhava um pouco quando o assunto era com Enrique.
Em menos de um mês trabalhando no lugar, eu já era o comentário de todos os funcionários. Todos notavam as tentativas frustradas de Enrique em me levar para a cama. Cheguei a descobrir que fizeram até apostas de quanto tempo eu resistiria ao belo chefe.
Enrique não fazia questão de esconder seu interesse. O que causava certa inveja entre as funcionárias que já passaram por sua cama e que precisaram dar em cima dele para conseguir.
Enquanto isso, Evandro não dava nenhum motivo para fofocas. Sempre discreto e sincero, transbordava os sentimentos lindos que sentia pela esposa. Várias vezes encomendei flores e marquei jantares para eles. Nunca notei nada que maculasse sua índole.
Como secretária de Evandro, eu ficava em uma sala que antecedia a dele, no andar abaixo de onde ficava a sala de Enrique.
A empresa era a Brasilian Music; uma grande gravadora situada num dos lugares mais privilegiados da Avenida Paulista em São Paulo.
O prédio possuía catorze andares, onde eram distribuídos estúdios e escritórios. Meu local de trabalho ficava no penúltimo andar. Pelo menos cinco vezes por dia, Enrique descia do último para conversar com Evandro.
— Estou te deixando confusa, não estou? – ele sorriu sem graça.— Sim. – não conseguia formular grandes frases. Sentia uma mistura de raiva, tristeza e solidão. O desejo não estava comigo naquele momento.— Eu te disse que não era possível para uma mulher separar sexo de sentimentos.— É sobre isso que vamos conversar? – perguntei impaciente.Ele ainda permanecia sério.— Não, Sereia. – segurou minhas mãos, irritado com o movimento delas.Depois de alguns segundos em silêncio, continuou:— Queria te dizer o motivo pelo qual passei a eternidade dos dias anteriores tentando fingir que você não existia. – ele parou e ficou em silêncio por mais alguns segundos como se o assunto ainda o incomodasse.Eu não disse nada. Esperava ansiosa por suas próximas palavras até ouvir e sentir meu coração gelar.Ele disse:— Depois do que houve entre nós, me senti um lixo quando Anna me procurou. Achei que eu estava com o vírus da AIDS.Meus olhos, que estavam focados em nossas mãos, foram desviados par
Segunda-feira, como não podia me vestir de mulher fatal para enfrentar Enrique como nos filmes e livros, entrei em meu uniforme dando apenas atenção a maquiagem e ao perfume. Estava calor, então prendi meu cabelo em um coque.Trabalhei a manhã toda sem ter notícias dele. Ouvia apenas as especulações dos funcionários. Alguns diziam que ele não foi trabalhar enquanto outros falavam que estava trancado no escritório.Quando estava próximo do meu horário de almoço, Evandro me chamou na sala dele.Entrei com o costumeiro “boa tarde” e ele, após responder minha saudação, foi logo dizendo:— Ainda tem tempo para me fazer um último favor antes de sair para o almoço?— Sim. Em que posso ajudá-lo?— Preciso que leve esses papéis para o Enrique. Ele está trancado em um dos estúdios. –informou. – Pediria a secretária dele, mas ela não veio trabalhar por motivos de saúde. Você poderia fazer esse favor?Enquanto ele falava meu coração disparava na menção do nome do homem que em pouco tempo me fez c
— Saudade, desejo, loucura, sei lá. – a cada palavra, ele chegava mais perto – Uma mistura louca de sentimentos.Ele se aproximava e eu recuava. Como caça e caçador.— Você costuma receber suas visitas vestida assim? – ele não conseguia desviar o olhar do meu corpo.Neste momento eu já estava encurralada entre ele e a bancada que separava a cozinha da sala.— Na verdade, as visitas costumam se anunciar pelo interfone.Enquanto falava meus olhos passeavam livremente pelo rosto dele, e ele deliberadamente se afastou como se tivesse certeza de que eu queria analisar seu corpo.Não o decepcionei. Meu olhar vagava devagar primeiro pelo peito musculoso que a camisa branca valorizava e, depois, pela calça social preta que deixava totalmente visível o formato da sua excitação.— Uma senhora muito amável me deixou subir e falou o número de seu apartamento. – lá estava o sorriso cínico. Ele havia percebido que demorei a desviar a atenção do botão da sua calça.Olhei fundo nos olhos dele e pude
Conversei com meu melhor amigo, Pedro, que conheci quando mudei para São Paulo, sobre o que aconteceu na viagem.— Aline, sinceramente não sei o que dizer, mas você pode processá-lo por assédio. — Ele estava entre louco por um romance de conto de fadas e preocupado comigo. — Alguém na empresa sabe?—Acho que não sabem sobre o que aconteceu durante a viagem, mas todas sabem do beijo que aquela fofoqueira da recepcionista presenciou e somando com a fama dele vão ter muito que especular — respondi ignorando a palavra processo propositalmente.Até Evandro devia saber daquele beijo, afinal eles eram amigos. Duvido que Enrique resistisse a contar suas conquistas para ele.— Pretende processá-lo? — Pedro insistiu.— Claro que não! Fui alertada de que ele era um conquistador quando entrei na empresa. E todos sabem que ele não usa de nenhum artifício para conseguir levar as funcionárias para cama. Eu seria uma oportunista se usasse isso para processá-lo.Pedro, que estava sentado no sofá zapea
Ele me mostrou superficialmente a casa. Deu para notar que havia dois quartos, sendo que um era do irmão que ficou na festa, a sala era conjugada com a cozinha e o banheiro ficava próximo aos aposentos.Ele me indicou o sofá e eu me sentei esperando o vinho que ofereceu. Depois que trouxe a bebida, se sentou ao meu lado e puxou conversa sobre meu curso e trabalho.Antes que eu chegasse na metade do vinho, ele tirou a taça das minhas mãos e começou a me beijar. O beijo dele era muito molhado, mas tentei não pensar nisso. Ele levantou minha blusa e puxou meu sutiã preto expondo meus seios. Começou a sugá-los de uma forma dolorida, mas que me excitava.Eu segurava a cabeça dele mantendo seus lábios em meus seios e, às vezes, arranhava suas costas por baixo da camisa.Depois de algum tempo nessa brincadeira, ele desabotoou meu short, começou a acariciar por baixo da minha calcinha e penetrar o dedo em mim. Os gemidos e as carícias dele me deixavam excitada, mas alguma coisa estava errada
Durante a viagem de volta agimos naturalmente. Apesar de ser segunda-feira Evandro me dispensou para voltar a trabalhar apenas na quarta-feira e assim descansar da viagem.Com meu pensamento ocupado em lembrar em como seria gostoso me jogar na minha cama de casal e me enrolar no cobertor macio, sequer lembrei o que aconteceu entre Enrique e eu muito menos nas consequências que poderia ter.Viajamos após o almoço, o que me fez dormir durante quase todo o voo, que nem foi tão longo assim.Cheguei em casa de táxi pago por Evandro que insistiu em pagar quando percebeu que não poderia me deixar em casa, pois a bagagem de Enrique não era localizada e eles ficariam para resolver a questão.Agradeci e não me ofereci para ajudar. Naquele momento minha mente estava reservada para imaginar o conforto da minha casa. Deixei de lado a cortesia ao pensar em ficar horas no aeroporto lotado tentando encontrar os objetos pessoais do sócio do meu chefe. Se era um pensamento mesquinho, não me importei.D





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