Mundo de ficçãoIniciar sessãoA semana estava bastante movimentada no início do meu segundo mês.
Na sexta-feira eu trabalhava sem parar, mas encontrei tempo para achar um pouco estranho que Enrique subiu para o escritório e já estava quase terminando o expediente sem ele descer para me provocar com a desculpa de que tinha assuntos urgentes com Evandro.
Não podia admitir, mas senti falta de vê-lo.
Estava distraída pensando nisso, quando Evandro abriu a porta dupla que nos separava.
— Aline, Enrique não sai do telefone e preciso falar com ele. Imagino que tentará te seduzir pela milésima vez, mas poderia ir chamá-lo, por favor? – ele fez uma careta de tédio, como se estivesse cansado das atitudes do amigo. – Em breve chegará uma banda e o empresário para uma reunião e preciso discutir alguns detalhes com ele.
Ainda me assustava com a beleza do meu chefe quando ele aparecia assim, pois além de extremamente belo ele era extremamente alto.
— Sim, senhor Evandro. Agora mesmo – respondi deixando de lado os e-mails que estava respondendo.
Levantei-me prontamente e segui para as escadas. Não iria usar o elevador a fim de deslocar um andar.
— Obrigado! – ouvir a voz suavemente rouca do meu chefe me fazia pensar em paz. Ele era a própria tranquilidade.
Nunca presenciei um momento em que ele demonstrou perder a calma.
Enquanto andava para as escadas, me virei e sorri para ele. Ele me pediu para ir porque era muito educado, como chefe poderia simplesmente ter ligado e ordenado. Tive muita sorte em conseguir um emprego do qual gostasse e ter um chefe que respeitava a todos igualmente.
Evandro era o sócio perfeito para Enrique. Ambos fisicamente lindos. Me sentia de certa forma intimidada porque Evandro tinha quase dois metros de altura, eram exatamente 1,96m. O rosto bonito emoldurado pelos cabelos castanhos que chegavam à altura dos ombros, os olhos verdes, os lábios finos e o corpo definido completava o pacote que arrancava suspiros das funcionárias. Mas apesar dos suspiros, elas não se arriscavam a avançar para cima dele, pois sabiam que era um marido fiel, apesar de não conhecerem sua esposa pessoalmente. Janaina, a esposa de Evandro, era bastante caseira e optava por não se envolver com os negócios do marido. Era o que diziam, mas não podia saber ao certo se era fofoca ou não, jamais perguntaria ao meu chefe. Também não era um assunto que me tirava o sono.
Eu já tinha muito com o que me preocupar com Enrique, então a beleza extrema de Evandro não mexia com minha cabeça, nem mesmo o mistério que envolvia sua esposa.
Enquanto caminhava em direção ao covil do lobo, imaginava como a mulher de meu chefe tinha sorte em ter um marido bonito e fiel, isso não é para todas!
“Agora é hora de enfrentar a fera”, pensava enquanto me aproximava da sala de Enrique. E o que tornava mais difícil enfrentá-lo era que meu corpo e mente não eram indiferentes aos seus avanços.
Pensava em pedir para a secretaria avisá-lo, e assim não precisaria entrar na sala dele, mas quando cheguei, ela não estava.
Torcendo para que ele também não estivesse, bati na porta.
— Entre. – ele sequer perguntou quem era. Entrei e esperei que ele desviasse o olhar dos papéis que analisava, não queria atrapalhar.
O escritório parecia uma “bibliodiscoteca” com livros e CDs espalhados por toda parte, principalmente na mesa e nas prateleiras que envolviam um lado da parede do escritório. Muito diferente da sala em que fui entrevistada para a vaga de secretária ou da de Evandro.
— Ora, veja só quem sentiu saudade. – o sorriso cínico apareceu naqueles lábios antes cerrados enquanto lia.
— O senhor Evandro me pediu para avisá-lo que precisa falar com o senhor porque não conseguiu chamá-lo pelo telefone. – fui direto ao assunto.
Ele olhou rapidamente para o aparelho branco sobre a mesa parcialmente coberto por papéis.
— Deve estar fora do gancho. – voltou a me encarar. – Mas aproveitando que você está aqui e é sexta feira, me diga: O que vai fazer hoje à noite, Sereia?
Suspirei. Ele começava ser mais direto que de costume. Devia ter percebido minha falta de indiferença.
— Irei sair para dançar com alguns amigos. Caso o senhor goste de dançar, sinta-se convidado. – fingi entrar no jogo. E minha mente começou a trabalhar imaginando como seria dançar com o corpo colado ao dele.
Ele analisou meu corpo dos pés a cabeça demoradamente. Tempo o bastante para eu balançar a cabeça dispersando a imagem erótica que se formava.
— Não quero sair com você! – ele sorria enquanto falava. – Quero beijar esses seus lábios cheios até deixá-los inchados! E os movimentos que faríamos são ilegais para uma pista de dança.
“Não quero sair com você”. Foi essa frase que acalmou meu corpo e fez com que eu decidisse que ele jamais me teria.
Se ele quisesse alguém para transar para depois fingir que não conhecia, que procurasse uma prostituta. Instantaneamente o desejo tornou-se raiva.
— Meu chefe estará aguardando. – fingi que não ouvi seu comentário e me virei para sair.
Ele ignorou o que eu disse, assim como o fato de que caminhava para porta, e continuou falando:
— Terei que viajar, porque meu sócio acha que preciso de férias e convenceu minha família a me tirar daqui por alguns dias, mas quando eu voltar, ainda irei insistir. Algo me diz que você quer tanto quanto eu.
Também ignorei esse comentário.
— Com licença, senhor Enrique. Não posso demorar. – abri a porta e sai depois de sorrir polidamente em despedida.
— Toda. – o sorriso cínico não deixou os lábios dele em nenhum momento em que estive na sala.







