Mundo de ficçãoIniciar sessãoA convenção duraria poucos dias. Saímos de São Paulo na sexta-feira de manhã e voltaríamos na segunda-feira. Não tive tempo de explorar os pontos turísticos de Manaus e prometi a mim mesma que passaria parte das minhas férias na cidade. Fiquei impressionada ao passar pelo Teatro Amazonas quando estávamos a caminho do hotel Millennium. O vislumbre que tive da imponência da arquitetura clássica, dos arcos e colunas contrastando com a cúpula colorida foi o bastante para atiçar meu desejo de voltar e explorar todo o local.
Foi o único ponto turístico que consegui ver e de passagem.
Evandro pediu desculpas por me encher de trabalho, mas não podia evitar. Estava sendo bastante requisitado pelos membros e convidados da convenção, e ter sua secretária com ele era essencial.
Passamos parte da tarde de sexta-feira em pequenas reuniões à beira da piscina. E apesar de ter muitos olhares masculinos em direção ao meu corpo coberto apenas por um maiô preto, somente um olhar me importava.
Nesse dia não precisei me preocupar com um avanço da parte de Enrique. Quando subi para o quarto, ele ainda estava em reunião e deve ter chegado muito tarde, porque não percebi sua presença, e saiu muito cedo, quando acordei às oito da manhã, ele já não estava mais. Só soube que ele passou pelo quarto porque senti o cheiro do seu perfume e vi que o banheiro estava molhado. Acabei rindo sozinha por estar com medo de cair nas garras de um homem que respeitava meu sono.
No sábado entre breves descansos e pequenas reuniões acabamos decidindo dormir as noves horas da noite. Fiquei entre temerosa e ansiosa, pois não sabia se seria como na noite anterior. Não sabia o que esperar de Enrique. Até tentei controlar a tensão, mas foi impossível.
Acabei subindo para o quarto, cansada, mas sem sono.
Era fato o desejo que sentia por ele e inevitável acontecer alguma coisa entre nós. Meu único medo era terminar apaixonada e rabugenta como as outras funcionárias que dividiram a cama com ele. Não queria terminar esperando por migalhas da atenção daquele homem.
A quem eu queria enganar? Já estava apaixonada! A única diferença era que eu sabia esconder bem essa paixão das outras pessoas, só não conseguia enganar o homem que desejava.
Eu estava sentada em frente ao espelho da penteadeira cantando uma música mexicana que tinha acabado de conhecer. Enquanto isso, Enrique estava mexendo em suas roupas na mala.
Eu não sabia a letra da música, mas não me importava. Queria que ele ouvisse e ele ouviu.
Quando cantei uma parte que repetia “abraça-me”, senti os braços dele ao redor dos meus ombros.
Ele tinha curvado o corpo para me abraçar e estava com o rosto próximo ao meu pescoço olhando o nosso reflexo.
— Cantei alto demais? – perguntei já não conseguindo disfarçar o desejo.
— Não. – desta vez ele não estava sorrindo.
Aquela palavra sussurrada em meu ouvido teve o poder de fazer todo meu corpo arrepiar.
— Se incomoda de eu te abraçar? – ele perguntou, sussurrando com a voz mais rouca que de costume diante do meu estremecimento.
Como sabia que minha voz sairia tão rouca quanto à dele, apenas balancei a cabeça negando. E vi seu sorriso refletido no espelho.
Ele foi desfazendo o abraço bem devagar, e eu tentava desesperadamente não agarrar seus braços impedindo que se afastasse.
— Vou tomar um banho. Livrar-me desse suor – declarou.
Respirei fundo. Uma atmosfera de sedução envolvia o ambiente. Comecei a imaginar seu corpo nu debaixo do chuveiro.
Mas não foi preciso imaginar muito. Ele deixou a porta do banheiro aberta e começou a se despir, ficando apenas com uma cueca preta.
Eu já o tinha visto de sunga mais cedo, porém aquela cena que assistia pelo espelho era de outro mundo. Não tinha nada a ver com as conversas à beira da piscina junto com todos da convenção de produtores e profissionais da música que vieram para a reunião anual e se hospedaram no hotel.
Já imaginava o quanto seria difícil resistir quando meu chefe informou que eu teria que ficar no mesmo quarto que Enrique por causa de um erro que alguém cometeu ao fazer as reservas. Quase caí da cadeira quando ele, bastante constrangido, veio me dizer. O problema era que quem fez as reservas foi a secretária de Enrique e ela não costumava errar. Evandro até sugeriu que eu não viajasse desconfiado dos planos do sócio, mas sabíamos que ele precisava da minha ajuda e não pretendia deixá-lo na mão.
O hotel estava lotado por causa do evento, e não me atrevi a implorar para pessoas desconhecidas, pedindo para dormir com elas. Ou ao meu chefe, me colocando entre ele e a esposa, que descobri ser uma pessoa extremamente simpática e bonita. Teria que resolver meus problemas com Enrique de forma adulta, fugir, já não era uma opção.
Enquanto andava de um lado para o outro imaginando como cheguei a ficar presa a um homem que sempre desejei, mas que nunca me envolvi por conhecer a fama de destruidor de corações que ele tinha; o barulho do chuveiro me deixava em transe.
Parei por um instante novamente em frente ao espelho e analisei meu reflexo. Alisei as curvas do meu corpo agradecendo a Deus por nunca precisar lutar contra o peso. O vestido azul longo e estampado com flores coloridas cobria grande parte do meu corpo, mas minha pele morena ainda podia ser vista nas partes em que a alça fina a deixava à vista no decote que mostrava uma pequena parte dos meus seios.
Em poucos segundos eu já imaginava as mãos dele percorrendo o caminho que as minhas mãos faziam.
Quando percebi, eu já estava no banheiro em frente ao box, sem saber bem como agir. No instante em que me virei para sair antes de ser vista, ele abriu o box. Ainda usava a cueca preta. Estava todo molhado e agia como se me esperasse.
— Venha – ordenou.







