Capítulo 30 — Vento no Terraço
Saí do galpão como quem sai de dentro de uma caixa e não de um prédio. O ar do porto pareceu mais leve do que era de manhã, mas eu sabia que não era o ar — era o fato de ainda estar inteiro. A porta metálica bateu atrás de mim com um som curto, sem eco, como se o galpão tivesse engolido a própria existência para não deixar rastro.
“Às 19h, no terraço. Vento.”
O bilhete que a mulher de vestido preto me passou na escada era curto demais para tanto significado.