Mundo de ficçãoIniciar sessãoSofia Ricci passou a vida acreditando que era apenas a filha de um homem simples, protegida do mundo por amor. Mas, quando seu pai é assassinado e deixa uma carta desesperada mandando que ela procure Dante Bellucci, o chefe mais temido da máfia romana, Sofia descobre que sua existência inteira foi construída sobre mentiras. Dante é frio, perigoso e acostumado a transformar medo em obediência. Para ele, Sofia deveria ser apenas uma peça protegida dentro de sua mansão: a filha de um aliado morto, uma testemunha valiosa, uma mulher que precisa ficar longe da guerra. Mas a coragem dela desafia cada ordem, cada muro e cada certeza que ele construiu ao redor do próprio coração. O que nenhum dos dois espera é que Sofia carregue no sangue uma chave antiga, criada por sua mãe para proteger segredos capazes de destruir a Mano Nera, uma organização criminosa infiltrada nas famílias mafiosas italianas. Agora, todos querem Sofia: seus inimigos querem seu sangue, a aliança quer seu nome, e Dante descobre tarde demais que proteger aquela mulher pode ser muito mais perigoso do que desejá-la. Entre ataques, traições, cartas escondidas, segredos sobre sua verdadeira linhagem e uma cláusula antiga que a promete ao herdeiro Bellucci, Sofia tenta provar que não é propriedade de ninguém. Nem da máfia. Nem dos mortos. Nem mesmo de Dante. Mas quando a tensão entre eles explode em uma noite impossível de esquecer, Sofia se vê ligada ao mafioso de um jeito que nenhum contrato poderia prever. E, ao descobrir que está grávida de gêmeos, o jogo se torna ainda mais cruel: a Mano Nera não quer apenas a chave. Quer os herdeiros que crescem em seu ventre.
Ler maisA chuva caía sobre Roma como se o céu tivesse decidido lavar os pecados da cidade.
Sofia Ricci apertou contra o peito a pasta de couro que seu pai havia escondido atrás de uma tábua solta no assoalho do quarto. Seus dedos estavam gelados, mas não era por causa da noite fria. Era medo. Um medo denso, sufocante, que parecia ter mãos e a segurava pela garganta desde o momento em que encontrara o corpo de Antonio Ricci caído no escritório, com os olhos abertos e uma expressão de terror que ela jamais conseguiria esquecer.
Seu pai não morrera de infarto.
Seu pai fora assassinado.
E ela sabia disso porque, poucas horas antes de morrer, ele havia lhe dito uma frase que agora martelava em sua cabeça.
— Se algo acontecer comigo, vá até Dante Bellucci. Não confie em mais ninguém.
Dante Bellucci.
Só o nome bastava para fazer homens adultos baixarem a voz.
O chefe da família Bellucci. O rei invisível de Roma. Um homem que não precisava levantar a mão para destruir alguém. Bastava uma ordem. Uma assinatura. Um olhar.
Sofia sabia quem ele era. Todos sabiam. Seu pai havia trabalhado como contador para a família Bellucci durante anos, embora nunca tivesse admitido todos os detalhes. Antonio Ricci gostava de fingir que era apenas um homem de números, um funcionário discreto, alguém que mantinha livros organizados e impostos pagos.
Mas Sofia não era ingênua.
Pelo menos, não completamente.
Ela sabia que o dinheiro dos Bellucci não vinha de restaurantes, hotéis e empresas de importação. Sabia que havia sangue por trás daqueles sobrenomes elegantes. Sabia que, quando um homem como Dante Bellucci chamava, ninguém recusava.
Mesmo assim, naquela noite, era para ele que ela estava indo.
O táxi parou diante de um portão negro e imenso, no alto de uma propriedade afastada do centro histórico. A mansão Bellucci surgia além das grades como uma fortaleza antiga, iluminada por luzes douradas e protegida por homens armados que não tentavam parecer seguranças comuns. Eram soldados. Homens de rosto duro, olhar seco e mãos próximas demais da cintura.
— Tem certeza de que quer descer aqui, signorina? — perguntou o taxista, olhando pelo retrovisor.
Não.
Ela não tinha certeza de nada.
Mas assentiu mesmo assim.
— Tenho.
Pagou a corrida com as últimas notas amassadas que tinha na bolsa e saiu antes que a coragem fugisse. A chuva encharcou seu casaco preto quase imediatamente. Seus cabelos castanhos grudaram no rosto. A pasta continuava presa contra o peito como se fosse a única coisa entre ela e a morte.
Um dos homens no portão a observou se aproximar.
— Nome.
A voz dele não perguntava. Ordenava.
Sofia ergueu o queixo, tentando parecer mais forte do que se sentia.
— Sofia Ricci. Preciso falar com Dante Bellucci.
O segurança não mudou de expressão, mas algo nos olhos dele se alterou.
Reconhecimento.
E não era bom.
— Espere aqui.
Ele se afastou alguns passos e falou em um comunicador. Sofia não conseguiu ouvir tudo, mas ouviu o suficiente.
“Ricci.”
“Filha.”
“Está com uma pasta.”
O portão se abriu alguns segundos depois, pesado, silencioso, ameaçador.
Sofia entrou.
A cada passo pelo caminho de pedras, sentia que atravessava uma fronteira da qual talvez nunca pudesse voltar. A mansão era ainda maior de perto: colunas altas, janelas imensas, mármore escuro, uma beleza fria e aristocrática que não convidava ninguém a entrar. Aquela casa não recebia visitas. Ela julgava invasores.
A porta principal se abriu antes que Sofia batesse.
Uma mulher mais velha, vestida de preto, apareceu.
— Signorina Ricci?
— Sim.
— Venha comigo.
Sofia entrou.
O interior da mansão cheirava a madeira nobre, couro, tabaco caro e poder. Havia quadros antigos nas paredes, esculturas discretas, lustres baixos, tapetes espessos que engoliam o som dos passos. Tudo era elegante demais. Controlado demais.
Como se naquela casa até o silêncio obedecesse ordens.
A mulher a conduziu por um corredor longo até uma porta dupla.
— O senhor Bellucci vai recebê-la.
Sofia engoliu em seco.
— Agora?
A mulher olhou para ela como se a pergunta fosse absurda.
— O senhor Bellucci não costuma esperar.
Antes que Sofia pudesse responder, a porta se abriu.
E ela o viu.
Dante Bellucci estava de pé diante de uma janela enorme, com as mãos nos bolsos da calça social escura. Vestia uma camisa branca impecável, com as mangas dobradas até os antebraços, e um colete preto que acentuava a largura dos ombros. Alto, poderoso, imóvel. A luz baixa do escritório desenhava sombras afiadas em seu rosto.
Ele parecia jovem demais para carregar tanto medo no nome.
Talvez trinta e cinco anos. Talvez um pouco menos. Cabelos negros, barba curta, maxilar rígido, olhos escuros como uma sentença.
Quando ele se virou, Sofia esqueceu como respirar.
Não porque ele era bonito — embora fosse, de um jeito quase cruel. Mas porque havia algo nele que fazia o corpo entender o perigo antes da mente.
Dante Bellucci não parecia um homem.
Parecia uma decisão da qual ninguém escapava.
— Sofia Ricci — ele disse.
A voz era baixa, controlada, fria.
Ela apertou a pasta.
— Senhor Bellucci.
Ele olhou para a pasta antes de olhar para o rosto dela.
— Seu pai está morto.
A frase a atingiu como um tapa.
Sofia sentiu os olhos arderem, mas não chorou. Não ali. Não diante dele.
— Sim.
— E você veio até mim poucas horas depois da morte dele.
— Ele mandou.
Dante inclinou levemente a cabeça.
— Seu pai mandou você vir até mim?
— Sim.
— Curioso.
A palavra saiu macia, mas havia veneno nela.
Sofia franziu a testa.
— Curioso por quê?
Dante caminhou até a mesa. Devagar. Cada movimento dele era econômico, como se não desperdiçasse energia nem para intimidar. Não precisava. A intimidação vinha naturalmente.
— Porque Antonio Ricci roubou de mim.
O chão pareceu sumir sob os pés dela.
— O quê?
— Seu pai desviou dinheiro da família Bellucci, vazou informações sigilosas e, ao que tudo indica, planejava entregar documentos a nossos inimigos.
Sofia balançou a cabeça.
— Não. Isso é mentira.
— Você tem certeza?
— Tenho.
Dante apoiou as mãos na mesa, inclinando-se um pouco para frente.
— Cuidado, signorina. Lealdade de filha é comovente, mas não muda fatos.
— Meu pai não era traidor.
— Todos os traidores têm alguém que diz isso no enterro.
A dor se transformou em raiva.
Sofia deu um passo à frente.
— Eu encontrei meu pai morto no chão do escritório. O senhor acha mesmo que eu viria até aqui, no meio da noite, se soubesse que ele tinha traído você?
Os olhos de Dante se estreitaram.
— Talvez sim.
— Por quê?
— Para terminar o que ele começou.
O silêncio que veio depois foi pesado.
Sofia entendeu, então.
Ela não estava ali como filha de um homem morto.
Estava ali como suspeita.
— Você acha que eu sou parte disso — ela murmurou.
— Eu não acho nada sem provas.
— Mas já me condenou.
O canto da boca dele quase se moveu. Quase.
— Se eu tivesse condenado você, Sofia, esta conversa não estaria acontecendo.
O modo como ele disse o nome dela fez um arrepio subir por sua nuca. Não havia carinho. Havia posse. Estudo. Ameaça.
Ela colocou a pasta sobre a mesa.
— Meu pai deixou isso escondido. Disse que eu deveria entregar ao senhor se algo acontecesse com ele.
Dante não tocou na pasta imediatamente. Apenas a observou.
— Você abriu?
Sofia hesitou por uma fração de segundo.
Foi o suficiente.
Dante percebeu.
— Abriu.
— Eu precisava saber se havia algo que explicasse a morte dele.
— E encontrou?
— Nomes. Contas. Códigos que não entendi. E uma frase escrita à mão.
— Que frase?
Sofia respirou fundo.
— “A Mano Nera está dentro da casa.”
Pela primeira vez, algo atravessou o rosto de Dante Bellucci.
Não medo.
Não surpresa.
Fúria.
Mas desapareceu tão rápido que Sofia quase pensou ter imaginado.
Ele finalmente pegou a pasta e a abriu. Retirou os papéis com cuidado, folheando em silêncio. Seus olhos se moveram pelas páginas, rápidos, atentos, implacáveis. A cada segundo, o ar no escritório parecia ficar mais frio.
Então ele parou.
Seu maxilar endureceu.
— Onde encontrou isso?
— Eu disse. No quarto do meu pai.
— Quem mais sabe que você está aqui?
— Ninguém.
— Mentira.
Sofia se ofendeu.
— Não estou mentindo.
Dante fechou a pasta com um golpe seco.
— Mulheres inocentes não costumam chegar à minha porta carregando documentos roubados e frases sobre uma organização que mata homens meus há anos.
— Mulheres inocentes também não costumam encontrar o próprio pai morto.
— E ainda assim, aqui está você.
Quando o juiz perguntou se Sofia aceitava Dante Bellucci, ela respondeu:— Aceito por escolha.Dante quase desmoronou ali.Quando perguntou se Dante aceitava Sofia Ricci, ele respondeu:— Aceito como mulher livre, mãe dos meus filhos e dona de si mesma. E prometo merecer a escolha dela todos os dias.Lucia chorou abertamente.Marco também, embora negasse depois.Naquela noite, Dante levou Sofia até o quarto que havia mandado preparar para eles na ala leste, mas que ela redesenhou completamente. Menos escuro. Mais claro. Cortinas leves. Livros. Flores. Uma poltrona confortável perto da janela. E, ao lado, um quarto ainda vazio, com duas pequenas mantas dobradas.Não compraram berços ainda.Sofia disse que queria escolher com calma.Dante já havia mandado vir trinta catálogos de móveis infantis de toda a Europa.Ela ameaçou queimá-los.Ele ficou com três.Progresso.Meses depois, em uma madrugada de chuva, os gêmeos nasceram.Não em uma mansão sitiada.Não em uma sala secreta.Mas na cl
A palavra ficou entre eles.Não como prisão.Não como reivindicação.Como rendição.Dante continuou:— Eu amo você. Não como meu pai amou, se aquilo era amor. Não como Enzo entende posse. Não como a aliança escreve em contrato. Eu amo você do único jeito que estou aprendendo: tentando escolher sua liberdade mesmo quando meu medo quer te guardar do mundo.As lágrimas desceram pelo rosto de Sofia.Dante apertou sua mão.— Não precisa responder agora.Ela riu chorando.— Claro que você diria isso depois de me fazer chorar.— Estou tentando não exigir nada.— Eu sei.Ela se sentou também.— Eu amo você, Dante Bellucci.O rosto dele mudou.Foi pequeno.Devastador.Como se ninguém tivesse dito aquilo de forma que ele pudesse acreditar.— Sofia...— E estou com medo disso.— Eu também.— E ainda vou brigar com você.— Eu sei.— E vou te impedir de virar muro.— Por favor.— E se você chamar nossa história de erro de novo, eu mesma te jogo no Tibre.Pela primeira vez, Dante riu.Baixo.Real.
— Nunca fui simpática.Dante levantou-se.— Notícias.Marco ficou sério.— O porto está limpo. Oito mulheres resgatadas do Santa Aurelia. Três em estado grave, mas vivas. Valentina Esposito está sedada, sob proteção de Lorenzo. Bianca Bellucci está estável. O traidor do carro foi levado para interrogatório. Paolo está preso. Enzo desapareceu.O ar da sala mudou.Sofia sentiu a mão de Dante se fechar.— Algum rastro? — ele perguntou.— Parcial. Ele saiu do porto antes da operação terminar. Provavelmente por túnel de serviço. Mas deixou documentos falsos, sangue e um recado.Sofia fechou os olhos.— Outro?Marco assentiu.Dante estendeu a mão.— Mostre.Marco entregou o tablet.Dante leu em silêncio.Sofia observou o rosto dele para medir o perigo antes de pedir para ver. O rosto dele fechou, mas não se desfez em fúria. Isso já era alguma coisa.— Sem segredos — ela lembrou.Dante virou o tablet para ela.A mensagem era curta.Você salvou o navio, Bellucci. Mas a Mano Nera não vive em n
Ele hesitou.Ela apertou a mão dele.— Sem segredos.Dante entregou o bilhete.Sofia leu.Primeira tentativa falhou. Mas agora sabemos que a mãe sangra, o pai treme e os herdeiros sobrevivem. A próxima caçada será dentro do lugar que vocês chamarem de seguro.Sofia sentiu o frio voltar.A médica praguejou baixinho.Marco ficou sombrio.Dante pegou o bilhete de volta e o dobrou devagar.Não explodiu.Não gritou.Não ordenou que Sofia fosse trancada.Apenas olhou para ela.— Você precisa descansar.— Sim.— E precisamos encontrar Enzo.— Sim.— E descobrir quem mais está dentro.— Sim.Dante tocou o ventre dela com cuidado.— Mas não vou transformar isso em jaula.Sofia sentiu lágrimas novas.— Eu vou cobrar.— Eu sei.Ele olhou para Marco.— Ninguém volta para a mansão sem nova verificação. Ninguém entra no círculo de Sofia sem Raffaella aprovar. Quero Bianca Bellucci levada para local médico seguro e separada de qualquer funcionário antigo. Valentina também. As mulheres resgatadas fic





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