Início / Máfia / Dante Bellucci Rejeitada pelo Mafioso de Roma / Capítulo 4 — A Prisioneira do Quarto Leste
Capítulo 4 — A Prisioneira do Quarto Leste

Sofia abriu a boca, mas nada saiu.

Dante viu o pulso dela acelerar na base do pescoço. Viu a respiração prender. Viu o modo como ela tentou se afastar meio passo e falhou porque a cama estava atrás dela.

Ele deveria ter recuado.

Não recuou.

Responda — ele disse baixo.

Eu não sei.

Sabe.

Os olhos dela subiram para os dele.

Havia medo ali.

Mas não apenas medo.

Esse foi o problema.

Dante sentiu uma tensão lenta atravessar seu corpo. Não era novidade desejar uma mulher. Desejo era simples. Biológico. Controlável.

Mas o que surgiu diante de Sofia Ricci não pareceu simples.

Pareceu inconveniente.

Ela era filha de um homem acusado de traição.

Possível isca.

Possível cúmplice.

Possível inocente.

A última possibilidade era a pior.

Porque criminosos ele sabia destruir.

Inocentes exigiam outro tipo de cuidado.

Eu quero sair daqui — ela disse, a voz mais baixa.

Não.

Tenho que enterrar meu pai.

A frase o atingiu de maneira inesperada.

Dante ficou imóvel.

Sofia engoliu em seco, mas continuou:

Você pode me odiar. Pode achar que ele traiu sua família. Pode achar o que quiser. Mas ele era meu pai. E eu não vou deixá-lo sozinho em um necrotério enquanto você decide se sou culpada.

Dante desviou o olhar para a janela.

Por alguns segundos, Roma pareceu pesar sobre seus ombros.

Ele podia negar.

Seria mais seguro.

Mais simples.

Mas havia dor na voz dela. E Dante, por mais que odiasse admitir, conhecia exatamente aquela dor. A urgência absurda de honrar um corpo quando todo o resto havia sido arrancado.

O enterro será amanhã — ele disse.

Sofia piscou.

O quê?

Meus homens providenciarão tudo.

Seus homens?

Você irá.

Os olhos dela se encheram de lágrimas, mas ela as segurou.

Irei sozinha?

Irá comigo.

A gratidão desapareceu antes mesmo de nascer.

Claro. Como uma criminosa escoltada.

Como uma mulher que talvez tenha assassinos esperando do lado de fora do cemitério.

Você sempre transforma tudo em ameaça?

Só quando é.

Sofia passou as mãos pelo rosto, cansada.

De repente, pareceu muito jovem.

Muito sozinha.

O vestido preto, o cabelo solto, os pés descalços sobre o tapete caro. Ela não combinava com aquela casa. Não combinava com o mundo dele. Era como uma vela acesa no meio de um arsenal.

E, ainda assim, Dante não conseguia parar de olhar.

Por que meu pai mandaria que eu viesse até você? — ela perguntou.

A pergunta era quase um sussurro.

Dante poderia ter dado uma resposta cruel.

Porque ele era culpado.

Porque queria salvar a própria pele.

Porque usou você.

Mas nenhuma dessas respostas era certa ainda.

Talvez porque acreditasse que eu sou o único homem em Roma capaz de mantê-la viva.

Sofia soltou uma risada triste.

Ou o único capaz de me matar se eu souber demais.

Dante não respondeu.

E o silêncio dele foi resposta suficiente.

Ela abraçou o próprio corpo.

Eu nunca quis fazer parte disso.

Ninguém quer nascer dentro de uma guerra.

Você nasceu?

Dante olhou para ela.

Sofia pareceu se arrepender da pergunta, mas não a retirou.

Nasci dentro de um nome — ele disse. — A guerra veio junto.

E você nunca quis fugir?

A pergunta era absurda.

Quase infantil.

Mas havia algo nela que o segurou.

Dante se lembrou de si mesmo aos dezessete anos, com sangue nas mãos e a mãe morta nos braços. Lembrou-se do pai colocando uma arma sobre a mesa, uma semana depois, e dizendo: “Homens como nós não choram. Cobram.”

Ele não fugira.

Ele aprendera a cobrar.

Não existe fuga para um Bellucci — respondeu.

Sofia o observou com uma atenção estranha.

Como se, por um segundo, tivesse enxergado o homem por baixo do chefe.

Dante não gostou.

Durma — ele ordenou, virando-se para sair. — Amanhã será longo.

Eu não vou conseguir dormir.

Tente.

Dante.

Ele parou.

Foi a primeira vez que ela disse seu nome sem formalidade.

O som atravessou a distância entre eles de um jeito perigoso.

Ele olhou por cima do ombro.

O quê?

Sofia hesitou.

Meu pai... ele sofreu?

Dante ficou em silêncio.

A resposta verdadeira provavelmente era sim. Antonio Ricci sabia demais. Homens que sabiam demais quase nunca morriam rápido.

Mas Sofia não precisava carregar aquela imagem.

Não naquela noite.

Não — ele mentiu.

Ela fechou os olhos por um segundo.

Uma lágrima escapou.

Apenas uma.

Dante teve uma vontade absurda de tocá-la.

Secar a lágrima com o polegar.

Puxá-la contra o peito.

Dizer algo que não soasse como ordem, ameaça ou condenação.

A vontade durou pouco.

Ele a matou antes que crescesse.

Boa noite, Sofia.

Saiu antes que ela respondesse.

Do lado de fora, Marco o aguardava no corredor.

Ela vai dar trabalho — o primo comentou.

Dante ajustou o punho da camisa.

Mulheres assustadas costumam fazer isso.

Marco o estudou com um meio sorriso.

Ela não parece só assustada.

Não?

Parece capaz de enfiar uma faca em você enquanto dorme.

Dante olhou para a porta fechada.

Então é bom que eu não durma.

Marco riu baixo, mas parou ao ver que Dante não estava brincando.

O que quer que eu faça?

Dobre a segurança. Ninguém entra no corredor sem minha autorização. Ninguém fala com ela sem minha permissão. E descubra quem seguiu o táxi.

Já mandei verificar as câmeras da rua.

E Marco?

Sim?

Dante virou-se para ele.

Se alguém tentar chegar até ela, eu quero vivo.

Marco ergueu as sobrancelhas.

Vivo? Isso é raro.

Quero respostas antes de cadáveres.

Entendido.

Dante caminhou de volta pelo corredor, mas não retornou ao escritório imediatamente. Parou diante da janela que dava para o jardim interno. A chuva começava a diminuir. As primeiras linhas cinzentas do amanhecer arranhavam o céu sobre Roma.

Em poucas horas, a cidade acordaria fingindo inocência.

Padres abririam igrejas. Turistas tirariam fotos. Cafeterias serviriam espresso em xícaras pequenas. Políticos dariam entrevistas. Homens beijariam esposas sem mencionar onde passaram a noite.

Roma era especialista em esconder pecados sob mármore e sol.

Dante também.

Mas Sofia Ricci havia entrado em sua casa encharcada de chuva, luto e perigo, carregando uma pasta que podia expor uma traição impossível.

E agora estava no quarto leste, tentando parecer corajosa enquanto o mundo desabava sobre sua cabeça.

Ele deveria vê-la como peça.

Como risco.

Como ferramenta.

Mas, ao lembrar da lágrima silenciosa descendo pelo rosto dela, Dante sentiu uma raiva fria crescer dentro dele.

Não dela.

De quem a havia colocado naquele caminho.

Seu telefone vibrou.

Uma mensagem de um número desconhecido.

Dante abriu.

Havia apenas uma foto.

Sofia saindo de sua antiga casa, naquela noite, segurando a pasta contra o peito.

Abaixo da imagem, uma frase:

A filha do traidor não sobreviverá ao luto.

Dante ficou imóvel.

Então seus dedos se fecharam ao redor do aparelho com tanta força que a tela quase estalou.

Marco, que ainda estava a poucos passos, percebeu a mudança.

Dante?

Dante ergueu os olhos.

Toda a frieza havia voltado ao rosto.

Mas por baixo dela havia algo pior.

Algo antigo.

Algo letal.

Acorde todos os homens — ele disse. — Ninguém dorme nesta casa hoje.

Marco endireitou a postura.

O que aconteceu?

Dante olhou mais uma vez para a mensagem.

Depois para a porta do quarto onde Sofia estava.

A Mano Nera sabe que ela está aqui.

Marco praguejou baixo.

Dante guardou o telefone.

E se eles querem a garota Ricci...

Fez uma pausa.

O nome dela queimou em sua mente de um jeito que não deveria.

Sofia.

Ele respirou fundo, frio, controlado, mortal.

Vão ter que atravessar Roma inteira e passar por mim primeiro.

Sofia acordou com o som de passos do lado de fora da porta.

Por alguns segundos, não soube onde estava.

O teto acima dela era alto, pintado em tons claros, com molduras antigas e um lustre pequeno de cristal apagado. A cama era grande demais, macia demais, coberta por lençóis que cheiravam a lavanda e sabão caro. A luz cinzenta da manhã entrava pelas cortinas pesadas, desenhando faixas pálidas sobre o tapete.

Não era seu quarto.

Não era sua casa.

Então a memória voltou.

Seu pai morto.

A pasta escondida.

A chuva.

O portão negro.

Dante Bellucci.

Sofia sentou-se rápido demais, e uma tontura breve a obrigou a fechar os olhos. Levou a mão ao peito, sentindo o coração bater de maneira desordenada.

Estava na mansão Bellucci.

Sob o teto de um mafioso.

Sob vigilância.

Prisioneira.

A palavra lhe causou náusea.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App