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Capítulo 05 -  A Esposa por Conveniência

Casamentos costumam começar com promessas.  O de Edward Fitzgerald começaria com um acordo.

O silêncio que caiu no quarto foi imediato. Por um instante, Liliana teve a impressão de que havia ouvido errado.

— Desculpa… o que você disse?

Edward girou levemente o copo entre os dedos, observando o líquido âmbar no fundo antes de repetir, com a mesma tranquilidade quase irritante.

— Vou.  me.  casar. — repetiu pausadamente. 

Liliana permaneceu absolutamente imóvel por alguns segundos. O corpo inteiro parecia congelado no lugar.

Por dentro, porém, algo despencou. Foi uma sensação repentina e brutal, como se alguma estrutura inteira dentro do peito tivesse cedido de uma vez só. Mas nada disso atravessou a superfície.  Seu rosto permaneceu impecavelmente controlado, moldado por anos de disciplina emocional e orgulho. Nenhum músculo denunciou o impacto real daquelas palavras.

Foi quando soltou uma pequena risada baixa, curta, quase elegante mas carregada de uma ironia sutil que parecia muito mais um mecanismo de defesa do que qualquer vestígio verdadeiro de humor.

Isso é algum tipo de piada?

Edward virou o rosto para ela  a encarando com o olhar frio e indiferente respondeu:

— Não.

Liliana sustentou o olhar dele por alguns segundos, procurando qualquer sinal de sarcasmo, ou rachadura naquela expressão calma. Mas não encontrou nada.

— Desde quando você quer casar?

— Não quero.

A resposta veio imediata e sem emoção.

Ela piscou uma vez, lentamente.

— Então… por quê?

Edward apoiou o copo de whisky na mesa lateral.

— Meu avô quer que eu prove que sou um homem responsável, capaz de formar uma família.

Liliana estreitou os olhos.

— E você resolveu obedecer?

Ele deu de ombros com desinteresse.

— É conveniente.

A palavra caiu no ar como algo frio e calculado. Liliana inclinou levemente a cabeça, observando-o com mais atenção.

— E posso saber quem é essa mulher?

Edward hesitou apenas um segundo antes de responder.

— Uma funcionária.

A expressão de Liliana mudou de forma quase imperceptível. Um músculo no maxilar se contraiu.

— Funcionária?

— Sim.

Ela soltou uma pequena risada seca. Mas agora o som tinha uma ponta de incredulidade.

— De todas as mulheres que passaram pela sua vida… você escolhe logo uma funcionária?

Ela se sentou melhor na cama. 

— E quem exatamente é essa funcionária?

Edward respondeu sem qualquer emoção aparente.

Dayse Whitmore.

O nome caiu no ar como uma pedra. Liliana ficou alguns segundos em silêncio. Depois encarou Edward.

— Não acredito.

Ele arqueou levemente uma sobrancelha.

— Em quê?

Ela soltou outra pequena risada, desta vez carregada de incredulidade. O som ainda era baixo e controlado, mas havia um tom mais duro, mais afiado, como se por trás daquela reação aparentemente leve começasse a surgir uma ponta de irritação que ela já não se preocupava tanto em esconder.

— Você vai casar exatamente com a  funcionária que acabou de causar um prejuízo milionário para a sua  empresa.

Edward apoiou as mãos na cintura.

— Exatamente por isso.

Liliana franziu a testa.

— Como assim?

Ele respondeu com a mesma tranquilidade irritante.

— É apenas uma troca de favores.

Ela estreitou os olhos.

— Explique.

Edward caminhou até a poltrona e pegou a camisa que havia deixado ali.

— Ela precisa salvar a carreira e eu preciso de uma esposa.

Liliana cruzou os braços.

— Então você escolheu… uma funcionária incompetente?

— Ela é ideal.

O tom dele era tão calmo que irritava ainda mais.

— Não vai haver envolvimento emocional, nem expectativa. E ela não representa nenhum risco.

Liliana observava cada movimento dele, cada gesto, cada microexpressão. E, pela primeira vez em anos, algo começou a queimar dentro do peito dela.

Raiva.

Ciúme.

E uma sensação amarga de substituição.

Mas o rosto permaneceu perfeitamente neutro.

— Interessante... — disse, com aparente indiferença.

Edward caminhou até o banheiro e disse antes de entrar.

— É apenas um acordo. Não vai significar absolutamente nada. 

Liliana sorriu.

Um sorriso pequeno, elegante.

— Evidentemente...

Edward entrou no banheiro e fechou a porta.

Segundos depois, o som do chuveiro começou a preencher o silêncio do quarto. Liliana permaneceu sentada na cama por alguns instantes. O olhar dela foi lentamente para o espaço vazio onde Edward estava poucos segundos antes. E  pela primeira vez naquela noite, a máscara caiu.

Os olhos dela se estreitaram e sua expressão suave e elegante se transformou em algo muito mais frio, sombrio e muito mais perigoso. 

Dayse Whitmore… — murmurou.

Depois se levantou lentamente da cama, pegando o próprio vestido do chão e enquanto se vestia, sua mente já estava trabalhando, planejando, e calculando. 

Porque uma coisa era absolutamente certa.

Edward Alexander Fitzgerald podia acreditar que aquele casamento era apenas um acordo conveniente. Mas Liliana sabia exatamente como destruir acordos.

E se aquela funcionária realmente acreditava que iria se tornar esposa do CEO… então estava prestes a descobrir o tamanho do erro que havia cometido.

Porque Edward Fitzgerald não era apenas um homem para Liliana. Ele era o homem que ela amava há anos. O homem que ela acreditava que, mais cedo ou mais tarde, acabaria escolhendo.

E Liliana não tinha esperado tanto tempo, vivido noites e suportado expectativas silenciosas ao lado dele para simplesmente assistir outra mulher ocupar o lugar que sempre considerou seu.

Se Dayse Whitmore realmente achava que iria se casar com Edward… Então estava prestes a descobrir o que acontece quando alguém tenta tomar aquilo que Liliana nunca teve a menor intenção de entregar.

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