Capítulo 02 - O Prejuízo e a Proposta

A reunião da presidência nunca era convocada sem motivo.

E naquela manhã, enquanto os acionistas se acomodavam em silêncio na sala de reuniões da empresa Fitzgerald Global Corporation, todos sabiam que algo muito errado havia acontecido. O que ninguém imaginava… era que o responsável por um prejuízo de quatro milhões de dólares estava sentado ali entre eles.

Na sala de reuniões da presidência, o clima era tenso.  

Os acionistas já estavam sentados. Alguns folheavam documentos, outros conversavam em voz baixa. 

Dayse, Marina e Clara já estavam dentro da sala, assim como outros funcionários e todos pareciam confusos e assustados. 

De repente a porta se abriu e Edward Alexander Fitzgerald entrou. Alto, elegante e com aquela postura que transmitia autoridade antes mesmo de qualquer palavra ser dita.

Ao lado dele vinha Liliana Hart, advogada principal da empresa. 

— Senhor Fitzgerald, a auditoria revelou um problema sério.

Ela projetou um gráfico na tela.

— Um erro contratual causou um prejuízo estimado em quatro milhões de dólares.

O murmúrio que se espalhou pela sala foi imediato, como uma onda de choque atravessando a mesa longa de reuniões. Um dos acionistas mais velhos bateu a palma da mão sobre os documentos à sua frente.

— Isso é inadmissível! Como um erro desse tamanho passa pelo departamento jurídico?

Outro homem, sentado mais ao fundo, inclinou-se para frente com a expressão de indignação.

— Estamos falando de quatro milhões de dólares por causa de uma cláusula mal revisada?

Uma mulher de terno azul escuro virou o rosto em direção a Liliana, analisando-a com evidente desaprovação.

— Quem foi o responsável por isso?

— O contrato foi aprovado esta manhã — continuou Liliana deslizando o documento na tela. — assinado por… 

Ela virou o rosto lentamente.

Dayse Whitmore.

Dayse sentiu o mundo parar.

— O quê?

Os acionistas começaram a falar todos ao mesmo tempo.

— Isso é absurdo.

— Uma funcionária júnior aprovando contratos desse valor?

— Quem autorizou isso?

— Esse tipo de descuido pode comprometer negociações futuras.

— Quatro milhões não são troco de café!

Liliana cruzou os braços com um leve sorriso que não chegou aos olhos.

— Eu sempre disse que algumas pessoas aqui não estão preparadas para o nível desta empresa.

Os murmúrios continuaram e Edward permaneceu observando em silêncio.

— A senhorita leu o contrato antes de assiná-lo? — perguntou um acionista

Outro completou, com impaciência evidente:

— Porque se não leu, isso é negligência. E negligência desse nível costuma ter consequências sérias.

Dayse sentiu o coração bater com força dentro do peito. Ela abriu a boca novamente, tentando encontrar alguma explicação, qualquer coisa que fizesse sentido. Mas as palavras simplesmente não vinham. Lembrou do documento entregue por Marina, e por ter assinado sem revisar e naquele momento ela teve a certeza de que era culpada. 

Edward observava cada reação dela em silêncio. 

O choque.

A confusão.

O medo.

Mas, naquele momento, ele não estava realmente preocupado com o prejuízo de quatro milhões de dólares. O que rondava sua mente era uma pergunta muito mais interessante.

Ela realmente não se lembra de mim… Ou está fingindo?

Os murmúrios continuavam aumentando ao redor da mesa.

— Isso precisa de uma investigação interna.

— A empresa não pode assumir um erro desses.

— Alguém precisa ser responsabilizado.

— Isso é um desastre jurídico.

Foi então que Edward finalmente falou.

Chega!

A palavra foi dita com tanta autoridade que atravessou a sala como um trovão, silenciando imediatamente todas as vozes. Edward olhou diretamente para Dayse.

— Senhorita Whitmore...

O coração dela disparou.

— Si- sim…

— Venha comigo até a minha sala.

Quando a porta do escritório se fechou atrás dela, o silêncio que se instalou ali dentro parecia ainda mais pesado do que o da sala de reuniões. Dayse respirou fundo e começou a falar desesperada:

— Senhor Fitzgerald, eu juro que não…

Ele a interrompeu com calma.

— Ontem à noite eu estava em um bar.

Ela piscou confusa.

— O quê?

Ele se aproximou lentamente.

— Conheci uma mulher interessante.

Dayse franziu a testa.

— Eu não estou entendendo…

— Oriental…

Ela congelou.

— Bonita…

Ele deu mais um passo.

— E ardente...

O coração dela disparou.

— Espera…

Ele parou bem na frente dela e um sorriso lento surgiu em seu rosto.

— Você realmente não se lembra de mim?

O cérebro dela conectou tudo de uma vez.

— Não…

Ela levou a mão à boca.

— Não pode ser.

Ele cruzou os braços e respondeu com um sorriso debochado nos lábios. 

— Pode.

Dayse passou a mão pelo rosto.

— Eu dormi com o meu chefe?

— Sim.

Dayse se calou imediatamente. Então ele disse calmamente:

— Você causou um prejuízo milionário para esta empresa.

— Eu sei…

— Eu poderia demitir você agora mesmo…

Ela fechou os olhos.

— Eu sei.

— Mas…  tenho uma proposta para fazer. 

Dayse levantou o olhar.

— Que proposta?

Edward inclinou levemente a cabeça.

Case comigo.

O ar desapareceu do escritório.

— O quê?

— Um casamento contratual.

— Você está louco.

— E em troca — continuou ele — eu resolvo o problema do contrato.

Ela ficou em silêncio tentando entender.

— E porque eu faria isso?

Ele respondeu calmamente.

— Porque  você precisa salvar a sua carreira e o meu avô quer que eu prove que sou um homem responsável.

Ela piscou.

— Isso é absurdo.

Ele deu de ombros.

— Pode ser presa senhorita Whitmore… 

Dayse encarou ele por alguns segundos.

— Isso é chantagem.

Edward sorriu.

— Eu prefiro chamar de… acordo mutuamente vantajoso.

Ele apoiou as mãos sobre a  mesa e a encarou diretamente.

— Você tem dois dias para pensar na minha proposta, senhorita Whitmore. Depois disso, continuamos essa conversa.

Dayse permaneceu parada, tentando processar tudo aquilo.

O erro de quatro milhões.

O homem da noite anterior.

E a proposta de casamento.

Quando ela finalmente saiu do escritório, uma única certeza ecoava na sua mente, em dois dias sua vida inteira poderia mudar.

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Charlene C.Esse gostou da noite mesmo rsrsrs
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