(Visão de Lua)
Tudo é som.
Som de vento, som de metal retorcendo, som do meu próprio coração batendo em um ritmo irregular, desesperado.
Abro os olhos devagar.
O teto é de concreto. A luz, fraca. O ar, pesado.
Por um instante, não sei se estou viva ou sonhando.
Tento me mexer, mas uma dor aguda lateja na cabeça.
Quando toco, sinto o sangue seco.
O corte é fundo — lembro da coronhada, do impacto do revólver batendo contra o meu crânio, e o gosto de ferro invadindo minha boca.
A cena volta como u