Capítulo 145, coisas boas nos esperam.
Amber
A casa estava silenciosa quando eu entrei, cheguei da terapia com piscologa.
Silenciosa de um jeito diferente. Não o silêncio do hospital, cheio de apitos e respirações controladas. Era um silêncio vivo. Cheio de coisas que existiam, mesmo quando não faziam barulho.
Victor dormia no quarto dele. Alyce também.
Eu passei pela porta devagar, quase com medo de acordar aquela paz frágil que a gente tinha conquistado com tanto custo.
Henry estava na cozinha.
De costas pra mim. Camisa simples. Mangas dobradas. Aquela postura cansada de quem passou o dia inteiro segurando o mundo com as mãos.
Eu encostei na porta e fiquei olhando.
Às vezes, o amor não vem como um incêndio. Às vezes, ele vem como isso. Um homem parado, respirando fundo, tentando continuar.
— Você chegou — ele disse, sem virar.
Eu sorri.
— Cheguei.
Ele virou devagar. E quando nossos olhos se encontraram, eu vi.
Cansaço. Medo. Amor.
Tudo misturado.
— As crianças estão bem? — ele perguntou. — Estão. Dormindo como se nada ti